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Bolsa brasileira recupera fôlego com expectativa de estímulos econômicos no exterior

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O noticiário de estímulos econômicos no cenário internacional ditou o tom positivo dos mercados globais e da Bolsa de Valores brasileira nesta terça-feira (16). O Ibovespa, principal índice acionário do país, encerrou com alta de 1,25%, aos 93.531 pontos. Além do plano de compra de títulos corporativos anunciados pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) anunciado na véspera, as notícias de que o governo dos Estados Unidos prepara um pacote econômico de R$ 1 trilhão em infraestrutura e a sinalização do BC japonês de que pode ampliar o suporte monetário naquele país se necessário também ajudaram a manter o otimismo nas Bolsas de Valores ao redor do mundo. Os principais índices acionários do mundo fecharam em alta. S&P 500 e o Dow Jones, dois dos principais índices da Bolsa de Nova York subiram 2,04% e 1,90%, respectivamente. Segundo o analista da Ativa Investimentos Ilan Arbetman, além da compra de títulos corporativos por parte do Fed, o mercado também viu com bons olhos os dados de vendas no varejo dos Estados Unidos, que vieram acima do esperado. "Isso reforçou as expectativas de que a recuperação seja mais rápida, diferente do que víamos na véspera, com temores de uma possível segunda onda do coronavírus", afirmou. Especificamente para a Bolsa brasileira, no entanto, Arbetman afirma que a melhora do humor no exterior acabou sendo mitigado pela leitura do mercado local sobre a recuperação do país. "Além dos dados de contaminação na China, também pesou por aqui o pronunciamento de Jerome Powell [chefe do BC americano] de que o mercado de trabalho nos EUA pode ter complicações que transpassem o período da pandemia e que o setor de serviços pode ser um dos mais afetados", disse Arbetman. "Somos uma economia que depende preponderantemente do segmento de serviços e isso pode indicar que nossa retomada pode ser mais lenta", completou o analista. A fala de Powell e o ressurgimento de casos na China também foi responsável por fazer o dólar inverter o sinal negativo que registrava no início do pregão para encerrar o dia com alta de quase 2%. Outras moedas emergentes também perderam o terreno ao longo do dia. "O otimismo no mercado foi contido após o governo chinês determinar o fechamento de escolas e restringir viagens em Pequim em uma resposta emergencial aos novos casos de Covid. O dólar retornou para a faixa de R$ 5,20, e deve ir muito mais caso esse fenômeno seja visto em outros países que flexibilizaram a quarentena", disse o analista da Clear Corretora, Rafael Ribeiro. Agentes financeiros também mostraram cautela à espera da decisão do Banco Central sobre sua política monetária, na quarta-feira. A ampla expectativa entre os economistas é de corte de 0,75 ponto percentual da taxa Selic.

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