SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Citado por Jair Bolsonaro nesta quinta (14) como um dificultador da medida provisória que permite a suspensão temporária de contratos de trabalho, o deputado Orlando Silva (PC do B) diz que o presidente tenta colocar os empresários contra o Congresso. "O discurso é de ataque, Bolsonaro continua na linha de provocar o parlamento e quer colocar os empresários contra o Congresso Nacional", afirma. Silva foi escolhido por Rodrigo Maia (DEM-RJ) como relator da MP 936, que permite a suspensão de contratos de trabalho e a redução de jornada e de salários durante a pandemia. O texto está em discussão no parlamento e precisa ser aprovado nas duas casas. O deputado já adiantou que fará propostas de mudanças à redação original do governo. Um dos pontos que serão alterados é o aumento da compensação para os trabalhadores afetados. Em vez de usar como referência para o pagamento o valor do seguro desemprego (pouco menos de R$ 1.900), Silva propõe usar como parâmetro o valor três salários mínimos (R$ 3.135). Ele também pretende aumentar a fatia dos trabalhadores cuja negociação terá que ser feita com a intermediação de sindicatos. Hoje, é obrigatório ter a mediação para quem ganha entre três salários (R$ 3.135) e R$ 12.200. Ele quer baixar o piso para um salário mínimo e meio (cerca de R$ 1.500). "Se esta medida é sindicaleira, então ele é sindicaleiro, porque quem previu o acordo coletivo nas negociações acima de três salários foi ele, não eu. Ou ele não leu a medida provisória, assinou sem ler", afirma. Segundo Silva, seu intuito é discutir o texto para chegar a um consenso. Ele ainda disse que está ouvindo representantes de setores empresariais, como a Febraban (federação dos bancos), e que está prevendo dispositivos que são contrários ao que defende o movimento sindical. "Estou mantendo o prazo dado por ele, de três meses de vigência, e propondo autorizar que o Executivo possa prorrogar por mais tempo caso seja necessário. Se ele decidir não prorrogar, a decisão é dele. Isso é ser sindicalista?", disse. Outro ponto que, para o deputado, pode ter incomodado o presidente é a previsão de ampliar o limite de isenção do IR para R$ 5.000. Silva afirma que a ideia foi proposta por Bolsonaro ainda na campanha eleitoral e que deputados acreditam que o momento de crise é adequado para colocá-la em prática. "O problema é que o Bolsonaro não acredita no diálogo, nem nas convergências. Por ser um presidente de comportamento imperial, pensa que pode impor posições independentes do parlamento", afirmou.