BRASÍLIA, 25 Fev (Reuters) - Não há ação concreta em discussão na Caixa Econômica Federal que envolva aquisição de carteiras de crédito ou de participação no Banco de Brasília (BRB) , disse nesta quarta-feira o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, que é presidente do conselho de administração da Caixa.
Em entrevista à imprensa, Ceron afirmou que o BRB não tem hoje condições de tomar crédito com garantia da União, acrescentando que o Distrito Federal, controlador do banco, tem questões fiscais delicadas que colocam desafio relevante para obtenção de crédito sem aval do governo.
De acordo com o secretário, a Caixa analisa o tema do BRB com olhar de mercado e governança robusta, assim como qualquer outra instituição financeira, avaliando eventuais sinergias e oportunidades.
Ele enfatizou que essa avaliação é feita de forma objetiva, sem que seja cogitado usar a Caixa como ferramenta de política pública, rejeitando também qualquer ação que pese negativamente sobre o balanço do banco.
"Se o BRB precisar ter algum tipo de apoio, não é exatamente por meio de uma instituição financeira que isso tem que acontecer. Isso tem que ser uma construção mais ampla com o que tem de disponível, seja o FGC (Fundo Garantidor de Crédito) ou outras alternativas que possam vir a ser cogitadas", afirmou.
A Polícia Federal abriu um inquérito criminal neste mês para apurar gestão fraudulenta no BRB, em um desdobramento das apurações que envolvem o Banco Master. O Banco Central rejeitou, em setembro do ano passado, a compra do Master pelo BRB após concluir análise acerca da capacidade financeira da instituição.
Também neste mês, o BRB apresentou ao BC uma série de medidas que a instituição implementará para recompor seu capital, caso se mostre necessário. As perdas do Banco de Brasília em operações feitas com o Master podem chegar a R$5 bilhões, segundo estimativa do BC.
(Por Bernardo Caram)

