O chairman e sócio-fundador do BTG Pactual, André Esteves, disse nesta sábado, 23, não ter dúvida de que falhas dos órgãos de controle permitiram as fraudes do banco Master, de Daniel Vorcaro. Segundo Esteves, o Banco Central (BC), como qualquer outra instituição, pode errar.
"Você tem alguma dúvida? Claro, né?", respondeu o banqueiro ao ser questionado, durante fórum da Esfera, se houve falha de controle no escândalo do Master. Presente no mesmo painel, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, disse que a direção anterior do BC, comandada por Roberto Campos Neto, teve responsabilidade direta no caso.
"É evidente que teve omissão e conivência com o que aconteceu, Depois, quem tomou providência foi a nova direção do Banco Central, que fez a intervenção", comentou Mercadante.
Esteves listou em sua resposta os grandes prejuízos causados pelo Master, um banco "inexpressivo": R$ 50 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos (FGC); R$ 12 bilhões no Banco de Brasília (BRB), que comprou carteiras do banco de Vorcaro; e R$ 4 bilhões nos fundos de Previdência. "Está respondido se faltou controle", assinalou o banqueiro.
Ao tratar do papel do BC no escândalo, Esteves disse que "faz parte errar". Negou, porém, que tenha ocorrido um erro do BTG no caso do Master. "É óbvio que não tem erro no BTG, claro que não. Quando a gente achou que as coisas estavam saindo do controle, procuramos nos posicionar como tal", disse o banqueiro.
O BTG Pactual foi o segundo maior distribuidor de certificados de depósito bancário, os CDBs, do Master. Além disso, o banco de Esteves comprou do Credcesta mais de R$ 1 bilhão em carteiras de crédito originadas pelo Master. Também chegou a fechar a compra de R$ 1,5 bilhão em ativos secundários de Vorcaro, em maio de 2025. No entanto, Esteves desistiu da operação após auditorias do BTG descobrirem que o caixa do Master estava sustentado por cerca de 80% de precatórios "podres".
Ao entrar no assunto no evento da Esfera, realizado no Guarujá, litoral de São Paulo, Mercadante classificou as fraudes do Master como o maior crime financeiro da história do País. O escândalo, emendou, só aconteceu porque a gestão do BC comandada por Campos Neto permitiu que Vorcaro se tornasse um banqueiro relevante no sistema.
Mercadante aproveitou para cobrar o fortalecimento não só do Banco Central, que supervisiona os bancos, mas também da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que fiscaliza os fundos de investimento. "Tem que empoderar o Banco Central e a CVM", cobrou Mercadante.
O presidente do BNDES acrescentou que a Reag, gestora que teve a liquidação extrajudicial decretada pelo BC após escândalos de fraude e lavagem de dinheiro, pode ser apenas a ponta do iceberg na indústria de fundos.
"Outro grande problema que vai aparecer são os fundos. A Reag é só a ponta do iceberg, porque não tem controle. O sujeito bota no balanço do banco dele um fundo que não vale absolutamente nada e cria uma pirâmide."
Para Mercadante, os bancos precisam ajudar a fortalecer os órgãos de fiscalização porque, no fim, são eles que acabam pagando a conta quando as garantias do FGC são acionadas para cobrir o rombo de correntistas e investidores.
"A CVM não pode continuar como está, nem o Banco Central. Tem que ter uma reestruturação. Primeiro tem que pagar bem o servidor público, tem que ter carreira, tem que ser valorizado", disse Mercadante.
*Os repórteres viajaram a convite da Esfera Brasil



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