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CNI diz que corte da Selic foi acerto, mas insuficiente para tirar a indústria do sufoco

CNI diz que corte da Selic foi acerto, mas insuficiente para tirar a indústria do sufoco
Imagem ilustrativa

A Confederação Nacional da Indústria avaliou como acertada a decisão do Copom de reduzir a taxa básica de juros, mas classificou o corte como insuficiente diante dos desafios impostos ao setor produtivo e às famílias. Em nota, a entidade afirmou que os juros altos agravam as dificuldades da indústria e seguirão asfixiando empresas e famílias, lembrando que a política monetária está em patamar restritivo há 55 meses. Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, não há justificativa compreensível para manter a taxa em nível tão elevado — o crédito caro comprometeria a renda de famílias com endividamento e inadimplência recordes, além de adiar investimentos e limitar a modernização produtiva.

Consulta da entidade projeta forte pressão financeira sobre o setor nos próximos três meses: 53% das empresas preveem aumento da necessidade de financiamento para contas a pagar, 47% esperam pressão sobre contas a receber e 42% sobre estoques. Entre as que demandam mais capital de giro, mais de 55% projetam encarecimento do crédito e cerca de 39% devem ampliar o endividamento bancário. Como efeito direto, 58% antecipam redução das margens líquidas; para conter perdas, 51% pretendem segurar preços a fim de não perder competitividade frente aos importados, enquanto 37% já planejam repassar custos ao consumidor.

Nos cálculos da CNI, há espaço para cortes mais expressivos sem prejuízo ao combate à inflação. A Selic estaria 3,6 pontos percentuais acima do nível indicado pela Regra de Taylor, estimado em 10,4%, e o juro real, de cerca de 10%, supera com folga a taxa de equilíbrio de 5% calculada pelo próprio Banco Central. A entidade pondera ainda que, mesmo em meio a tensões geopolíticas, o país segue atraindo investidores internacionais, e a valorização do real contribui para conter a inflação.

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