RIO E SÃO PAULO - Com a volta das intervenções do Banco Central, o dólar comercial opera em queda significativa desde a abertura dos negócios. Às 15h53, a moeda americana recuava 0,77% ante o real, a R$ 3,214. Na mínima, divisa chegou a R$ 3,198. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) subia 0,75%, aos 64.315 pontos, com bancos e Petrobras em alta, após fechar ontem em alta de 0,28%.
— O BC está se antecipando a uma possível pressão que deverá começar na quinta-feira, por conta da posse do Trump — explica Jaime Ferreira da Rocha Junior, diretor de câmbio da Intercam Corretora. — Hoje o mercado não tem muitos índices. Com agenda fraca, ficaremos atentos à volta do mercado americano, depois do feriado de ontem por lá.
Nessa nova atuação do BC no mercado, está sendo feita a rolagem de cerca de US$ 6,4 bilhões em contratos de swap tradicional que vencem no dia 1º de fevereiro. Os contratos vão vencer entre maio e junho e garantem a liquidez no mercado, já que o efeito dessa operação é de uma venda de moeda no mercado futuro. "A justificativa dada pela equipe é a de dar liquidez para o mercado", comentou, em relatório, a Elite Corretora.
A autoridade monetária, que não entrava no mercado desde o dia 13 de dezembro, informou ontem, após o fechamento do mercado, que faria nesta manhã a rolagem dos contratos de swap cambial tradicional com vencimento em 1º de fevereiro. A intervenção acontece às véspera da posse de Donald Trump, na sexta-feira. Na segunda-feira, a divisa subiu 0,49%.
Os temores são de que o republicano implante uma política econômica inflacionária, o que pressionaria o Federal Reserve (Fed, o BC americano) a aumentar ainda mais os juros e atrair para a maior economia do mundo recursos hoje aplicados em outras praças, como a brasileira.
Em Davos para o Fórum Econômico Mundial, ou falta de liquidez. No mesmo evento, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que o câmbio não preocupa o governo no momento:
— O fato concreto é que nós temos uma taxa de câmbio flutuante e estamos bastante confortáveis com o nível de taxa de câmbio que prevalece no Brasil — disse.
Na Bovespa, as ações da mineradora Vale, que ontem subiram mais de 3%,hoje devolvem parte dos ganhos. As preferenciais (PNs, sem direito a voto) caem 1,34% e as ordinárias (ON, com direito a voto) registram variação negativa de 2,60%. A variação acompanha a queda do minério de ferro na China. No porto de Qingdao, a commodity teve recuo de 2,51%, depois de uma disparada de 3,86% ontem.
A queda dos papéis da Vale é compensada pelo desempenho da Petrobras e do setor bancário, o que possui o maior peso na composição do Ibovespa.
As preferenciais da Petrobras sobem 0,82%, cotadas a R$ 15,88%, e as ordinárias registram leve variação positiva de 0,16%, a R$ 18,28.
No setor bancário, as preferenciais do Itaú Unibanco e do Bradesco sobem, respectivamente, 2,36% e 2,24%. No caso do Banco do Brasil, a valorização é de 1,15%.



