O dólar comercial encerrou o último pregão da semana em queda de cerca de 1%, voltando ao patamar de R$ 5,14, no mesmo dia em que a bolsa brasileira subiu 1,85% e fechou aos 171.031,73 pontos. Para quem mora em Manaus, um único dia de recuo da moeda americana não muda o preço da prateleira na manhã seguinte — mas indica em qual direção alguns itens do orçamento doméstico tendem a andar nas próximas semanas.
O câmbio pesa mais em três frentes bem conhecidas do consumidor da capital: os produtos importados e eletrônicos vendidos na cidade, os insumos comprados no exterior pela indústria instalada no polo industrial, e as viagens e compras internacionais, incluindo passagens e pacotes cotados em dólar. Também há efeito indireto nos combustíveis, cujo preço de referência acompanha o mercado externo. Em todos esses casos, porém, o repasse não é imediato: costuma levar semanas até chegar ao caixa do supermercado, da loja ou do posto.
Do outro lado da conta, o que não deu trégua foi o custo do dinheiro. Com a taxa básica de juros em 14% ao ano, o crédito segue caro para o consumidor amazonense — e isso aparece na fatura do cartão parcelado, no rotativo, no cheque especial e no financiamento de veículo ou de imóvel. Na prática, quem pretende comprar parcelado neste fim de mês tende a economizar mais comparando o Custo Efetivo Total entre bancos e fugindo do rotativo do cartão do que aproveitando qualquer oscilação diária do dólar.
No campo da inflação, o dado mais recente mostra alívio pontual: os preços ao consumidor subiram apenas 0,07% em julho no país, acumulando 3,44% no ano e 4,44% em doze meses. O grupo de alimentos e bebidas recuou 0,67% no mês, enquanto habitação avançou 0,99%, puxada pela energia elétrica, que subiu 3,09%. É a tradução do que muita família manauara já percebeu na rotina: a feira do mês deu uma folga, mas a conta de luz continuou cobrando caro.




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