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Com forte alta da Petrobras, Bolsa volta aos 119 mil pontos

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após cair 1,77% pela manhã, a Bolsa brasileira fechou em alta de 0,44% nesta terça-feira (5), a 119.376 pontos, maior valor desde a última terça (29) e próximo ao recorde de fechamento de 119.527 pontos, alcançado em 23 de janeiro de 2020. O pregão, porém, caminhava para acentuar o viés negativo registrado na véspera, com a apreensão de investidores em torno da eleição para senador no estado americano da Geórgia, cujo resultado determinará o equilíbrio de poder entre republicanos e democratas no Senado dos Estados Unidos, e do aumento nos casos de Covid-19, com novo lockdown na Inglaterra. Pela tarde, a disparada do petróleo puxou a melhora do mercado de ações global. No Brasil, as ações preferenciais (mais negociadas) da Petrobras fecharam em alta de 3,91%, a R$ 30,04, maior valor desde fevereiro de 2020, antes da OMS (Organização Mundial de Saúde) declarar pandemia do novo coronavírus. O barril de petróleo Brent (referência internacional) fechou em alta de 4,9%, a US$ 53,60, maior valor desde fevereiro de 2020. O petróleo dos Estados Unidos (WTI) também avançou 4,9%, para US$ 49,93 o barril. A valorização da matéria-prima veio após notícias de que a Arábia Saudita fará cortes de produção voluntários e diante do aumento na tensão política internacional pela apreensão de um navio sul-coreano pelo Irã. Os sauditas farão cortes adicionais voluntários de 1 milhão de barris por dia (bpd) à produção de petróleo em fevereiro e março. A medida faz parte de um acordo para convencer os produtores da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e aliados a manter o bombeamento estável em meio a preocupações de que novos lockdowns relacionados ao coronavírus afetem a demanda. "A Arábia Saudita colocou a cereja no bolo, e se há uma forma de descrever o que esses cortes voluntários representam para o mercado, 'happy hour' é um termo bem propício", disse Bjornar Tonhaugen, chefe de mercados de petróleo da Rystad Energy. Um documento interno da Opep+ visto pela agência de notícias Reuters, datado de 4 de janeiro, destacou riscos baixistas e alertou que "a retomada de medidas de contenção da Covid-19 em todos os continentes, incluindo lockdowns totais, está afetando a recuperação da demanda por petróleo em 2021." Enquanto isso, as tensões em torno da apreensão de um navio sul-coreano pelo Irã, país membro da Opep, continuam. Nesta terça, o Irã negou que estaria mantendo um navio sul-coreano e seus tripulantes como reféns, um dia após apreender o navio-tanque no Golfo em meio a pressões para que Seul libere US$ 7 bilhões em fundos congelados por sanções impostas pelos EUA. "A decisão da Opep+ foi determinante para a virada do mercado ao longo do dia e o fechamento positivo, ofuscando a extensão de lockdown na Alemanha e Reino Unido", diz Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora. Segundo Ribeiro, a alta do petróleo também ofuscou a declaração do presidente Jair Bolsonaro, de que o Brasil estaria quebrado e que ele não conseguiria fazer nada a respeito, que reverberou nos juros futuros. Juros futuros são taxas de juros esperadas pelo mercado nos próximos meses e anos. São a principal referência para os juros de empréstimos que são liberados atualmente, mas cuja quitação ocorrerá no futuro. O juro para outubro de 2021 subiu 2,45% na véspera para 2,50% "A declaração de Bolsonaro eleva o risco fiscal e gera dúvidas sobre como o governo irá lidar com a equação rombo fiscal x crescimento em 2021", afirma Ribeiro. "Que tal substituir 'não fazer nada' por apoiar clara e abertamente as reformas tributária, administrativa, as privatizações, além de apoiar claramente a equipe econômica e suas pautas, sem jogo duplo?", diz Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset Management, sobre a declaração de Bolsonaro. O dólar chegou a subir para R$ 5,3540 na sessão, mas fechou em queda de 0,148%, a R$ 5,2603, acompanhando o viés positivo dos mercados. Em Nova York, Dow Jones subiu 0,55%, S&P 500 teve alta de 0,71%, e o Nasdaq valorizou-se 0,95%. A moeda americana também se enfraqueceu ante pares globais após decisão da China de elevar sua taxa de câmbio oficial em iuanes em sua maior margem desde que o país abandonou a paridade com o dólar, em 2005. O banco central da China estabeleceu o ponto médio oficial do iuan em 6,4760 por dólar. O movimento de baixa da moeda dos EUA impulsionou divisas mais arriscadas, como o real. "Pense que os mercados vão eventualmente precificar mais suporte fiscal e isso adicionaria ainda mais pressão de baixa sobre o dólar, especialmente contra moedas da Ásia", disse Mazen Issa, estrategista sênior de câmbio da TD Securities. No sobe e desce da sessão, o real, já o campeão de volatilidade no mundo emergente, começou o ano exibindo ainda mais instabilidade. A volatilidade implícita das opções de dólar/real para três meses -uma medida da percepção de incerteza sobre a taxa de câmbio e que está em alta há dois meses- bateu 19,133% ao ano, maior patamar desde 13 de outubro. O peso mexicano -um dos principais rivais do real nos mercados de câmbio- tinha volatilidade implícita de 15,375% nesta terça. "Ainda temos um enorme problema fiscal que precisará ser, pelo menos em parte, equacionado. Este é hoje o maior desafio para o país, e um dos vetores que podem definir a direção estrutural de nossa economia nos próximos anos", disse a equipe da TAG Investimentos em carta mensal.

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