O Ibovespa, que operava em baixa desde a abertura, acompanhou a recuperação em Nova York e passou a subir, mesmo que levemente, ainda no começo da tarde, alcançando a inédita marca dos 198 mil no melhor momento. No fechamento desta segunda-feira, 13, mostrava ganho de 0,34%, aos 198.000,71 pontos, não muito distante da máxima do dia, de 198.173,39 pontos, ambas correspondendo a novos recordes. Foi a quarta quebra consecutiva deles, em série iniciada no dia 8, quando o índice da B3 rompeu marcas em vigência desde o fim de fevereiro. E também a 17ª vez em que o Ibovespa renovou recorde, em 2026.
No mês, o Ibovespa avança 5,62%, colocando o ganho do ano a 22,89%. O giro financeiro desta segunda-feira ficou em R$ 33,8 bilhões. A alta desta segunda foi a 10ª consecutiva para o índice da B3, em intervalo iniciado ainda em 30 de março, na penúltima sessão do mês passado.
O ganho de dinamismo em Nova York trouxe a reboque o Ibovespa, colocando o índice a 2 mil pontos do nível psicológico de 200 mil que boa parte do mercado esperava, no princípio do ano, apenas para o fim de 2026. A aceleração de Nova York e, por consequência, na B3 refletiu a perspectiva de distensão entre Estados Unidos e Irã, o que também jogou o dólar à vista para baixo, para aquém de R$ 5,00, e os juros futuros também. Na mínima do dia, o dólar à vista foi a R$ 4,9835, encerrando em baixa de 0,29%, a R$ 4,9970.
"Lá fora virou para o positivo a Bolsa de Nova York e, depois, o Ibovespa acompanhou. Ainda há muito ceticismo do investidor doméstico: o estrangeiro é que está puxando a Bolsa brasileira", diz Bruno Takeo, estrategista da Potenza. Em Nova York, no fechamento, Dow Jones +0,63%, S&P 500 +1,02%, Nasdaq +1,23%.
Apesar do fracasso das negociações no fim de semana entre Estados Unidos e Irã no Paquistão, na etapa vespertina os mercados globais se agarraram a alguns sinais um pouco mais favoráveis, na margem. No desdobramento mais importante, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o governo norte-americano foi contactado pelo Irã e que o adversário estaria "muito interessado" em fechar acordo com os EUA. Os comentários vieram após o impasse nas negociações entre Washington e Teerã no fim de semana no Paquistão. O governo iraniano ainda não respondeu às falas.
No entanto, apesar das idas e vindas na retórica de Trump, as declarações foram o suficiente para melhorar o desempenho dos ativos, com enfraquecimento do dólar, sinal positivo nas ações em Nova York, mudança de direção nos rendimentos dos Treasuries e avanço mais comportado para os contratos futuros do petróleo, em Londres e Nova York. Na Nymex, o contrato para maio do WTI, referência dos EUA, fechou em alta de 2,6% (US$ 2,51), a US$ 99,08 por barril, enquanto em Londres, na ICE, o barril da referência global, Brent, subiu 4,36% (US$ 4,16), a US$ 99,36, para junho.
Na B3, as ações do setor financeiro foram beneficiadas pela melhora do humor na etapa vespertina, firmando em parte sinal positivo, à exceção de Itaú (PN -0,52%) e, ao fim, também Santander (Unit -0,28%). Destaque para Bradesco (ON +1,08%, PN +0,73%) no fechamento. Desde mais cedo, as perdas do Ibovespa eram mitigadas pelo desempenho das gigantes das commodities: no encerramento, Vale ON +2,07% (na máxima do dia no fechamento, a R$ 87,36); Petrobras ON +1,78%, PN +1,53%. Na ponta ganhadora, Braskem (+7,35%), MBRF (+5,90%) e Vamos (+3,78%). No lado oposto, Copasa (-3,64%), PetroReconcavo (-3,15%) e TIM (-2,79%).
Por outro lado, há a mobilização de navios de guerra americanos na região do Estreito de Ormuz, por onde passam 20% da oferta global de petróleo e que, desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, foi praticamente fechado pelo Irã - com poucas exceções, como alguns navios de bandeira da China. Pelo menos dois petroleiros reverteram seu percurso, perto do estreito, após o início do bloqueio dos EUA, sinalizando o impacto inicial nos movimentos de embarcações.
De acordo com a MarineTraffic, uma empresa de análise de dados marítimos, o petroleiro Rich Starry, de 188 metros, deu meia-volta em minutos após se aproximar do ponto de estrangulamento. A embarcação havia partido da ancoragem de Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos, em 13 de abril e navegava carregada para a China.



