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Com Powell, Ibovespa acentua queda a 2% e retrocede a março, antes do Copom

Estadão

Mais inclinado a perdas do que a ganhos desde a abertura, o Ibovespa estendeu nesta quarta-feira, 29, a série negativa pela sexta sessão, em que flutuou mais de 4 mil pontos entre os extremos do dia, da mínima (184.504,18) à máxima (188.709,96). No meio da tarde, a correção se acentuou com a decisão sobre juros do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e a entrevista coletiva posterior, com o presidente da instituição, Jerome Powell, em que ressaltou o fortalecimento da perspectiva para a inflação, no curto prazo. Por outro lado, Powell reconheceu, também, que levar a inflação para a meta de 2% "rapidamente" poderia afetar o emprego, a outra ponta do mandato dual do Fed.

Conforme esperado, o comitê de política monetária (FOMC, na sigla em inglês) do Fed decidiu no período da tarde da quarta-feira manter a taxa de juros de referência nos EUA na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, com apenas um voto dissidente.

Na comunicação do Fed e de Powell, ficaram evidentes os receios da instituição quanto à situação no Oriente Médio e os respectivos efeitos sobre a inflação e a perspectiva para os juros na maior economia do mundo. Assim, o Ibovespa, que já operava em baixa desde cedo, aprofundou perdas antes de outra aguardada decisão e comunicação, a do Copom sobre a Selic, no período da noite. Ao fim, o índice da B3 marcava 184.750,42 pontos, em baixa de 2,05%, agora no menor nível desde 30 de março.

Considerando a mais recente máxima histórica intradia e de fechamento do Ibovespa em 14 de abril, houve apenas um ganho posterior (alta de 0,20% em 20 de abril) na sequência de 10 sessões, o que inclui a de hoje. Desde o último pico histórico, há 15 dias, o índice recua quase 14 mil pontos, considerando níveis de fechamento. Em porcentual, a perda desta quarta-feira foi a maior desde 20 de março, então em baixa de 2,25%. O giro da sessão de hoje foi a R$ 28,5 bilhões. Na semana, o Ibovespa cai 3,14% e, no mês, cede 1,45%, moderando o ganho do ano a 14,66%.

"No caso do BC americano, o mercado busca entender a sensibilidade do comitê de juros do Fed aos indicadores e à possibilidade de sinalizar em algum momento um aumento de juros, em caso de contínua deterioração do ambiente inflacionário", diz Bruno Perri, economista-chefe, estrategista e sócio-fundador da Forum Investimentos. Powell alertou hoje que cada choque de suprimento pode alavancar inflação e desemprego - e que os preços da gasolina estão diretamente correlacionados a por quanto tempo o Estreito de Ormuz ficará fechado.

Além do aspecto geopolítico que implica um grau maior de incerteza para inflação e juros, a quarta-feira reservou também, no front doméstico, nova leitura sobre a geração de vagas formais no mercado de trabalho do Brasil, que ainda mostrou resiliência e solidez, em março. Dessa forma, ponderando a comunicação do Federal Reserve e de seu presidente, Jerome Powell, sobre a perspectiva para inflação e juros, de um lado, e de outro a leitura sobre o Caged, os investidores em ações na B3 reforçaram a cautela do meio para o fim da tarde, antes da deliberação e do comunicado da noite do Copom.

Para João Oliveira, head da mesa de operações do Banco Moneycorp, o principal ponto considerado no momento pelos formuladores da política de juros do Fed é o barril de petróleo acima de US$ 100, e "a dificuldade em determinar se o impacto será por meio de crescimento deprimido ou de inflação mais alta". Tal dilema requer observação pelas autoridades monetárias nos próximos meses, justificando, assim, a decisão amplamente majoritária de manter os juros onde estão, nos EUA.

Neste contexto de incerteza, a forte alta de Petrobras (ON +3,16%, PN +3,03%) na sessão, mais uma vez alinhada ao petróleo - com avanço de quase 6% para o Brent em Londres -, não foi o suficiente para mitigar o efeito negativo de Vale ON, que caiu 5,87%, e também das ações dos bancos, que chegaram a 3,68% de baixa em BB ON no fechamento. Na ponta ganhadora do Ibovespa, além dos dois papéis de Petrobras, destaque também para Braskem (+5,55%), Hypera (+3,27%) e Prio (+3,07%). No lado oposto, além de Vale, apareceram WEG (-6,75%), Magazine Luiza (-5,39%) e Cogna (-5,19%).

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