O primeiro delator nas investigações sobre o Banco Master, Antonio Carlos Freixo Jr, é um dos alvos da Operação Crédito Oculto, deflagrada nesta quinta-feira, 24, que investiga lavagem de dinheiro do setor de combustíveis. Ele é suspeito de ajudar os empresários Roberto Augusto Leme, o Beto Louco, e Mouhamad Murad, o Primo, ambos foragidos da Justiça, a ocultar seus nomes na aquisição de uma distribuidora.
A operação desta quinta é a terceira fase da Operação Carbono Oculto.
Conhecido como "Mineiro", Antonio Freixo admitiu ser um dos braços do ex-banqueiro Daniel Vorcaro na geração de dinheiro vivo para transações do dono do Master. Sua empresa, a Entre Investimentos, foi liquidada pelo Banco Central em março, após ser alvo da Operação Compliance Zero, que mira as fraudes no banco de Vorcaro. Entre os temas de sua delação, estão os repasses feitos a pedido de Vorcaro ao fundo que financiou o filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Na operação Crédito Oculto desta quinta-feira, o delator é investigado por sua relação com negócios de Beto Louco e Primo, donos da Copape e Aster, distribuidoras de combustíveis suspeitas de terem alavancado suas atividades em um esquema bilionário de sonegação de impostos. Em uma de suas refinarias, a dupla teve sociedade com um traficante internacional de drogas, o que lhe rendeu a fama de serem associados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
A Entre Investimentos, empresa de Antonio Freixo, teria servido para ajudar Beto Louco e Primo a esconderem que eram os verdadeiros donos da Usina Itajobi, no interior de São Paulo, suspeita de sonegar mais de R$ 1 bilhão.
Em outra situação, a empresa também teria sido usada como "conta de passagem" para que a dupla da Copape e Aster usasse a Usina Itajobi para comprar uma outra empresa, a Terrana. Trata-se de uma empresa que pode ter sido adquirida por até R$ 153 milhões. Ambas as transações foram feitas com uso de fundos de investimentos.
'Outros grupos criminosos'
O Ministério Público afirmou à Justiça que Antonio Carlos Freixo Jr, "por intermédio das suas empresas do Grupo Entre, possui ampla relação jurídica com as empresas da organização criminosa de Beto Louco e Mohamad, bem como com outros grupos criminosos".
"O ecossistema de clientes do Grupo Entre aparentemente orienta que as suas atividades são direcionadas para a lavagem de capitais. Mas não apenas. Descortinou-se para além de atos característicos de lavagem de capitais, uma rede de estruturação financeira fraudulenta envolvendo prêmios e apostas, aparentemente, com o intuito em lavar dinheiro dos seus clientes", diz a Promotoria.
As buscas desta quinta foram pedidas pelo grupo de Atuação Especial e Combate ao crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, e autorizadas pelo juiz Sandro Nogueira de Barros leite, da 2.ª Vara Criminal de Catanduva, em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Distrito Federal.
A ação está fundamentada em provas obtidas durante a primeira fase da operação Carbono Oculto, como contratos, documentos, mensagens e áudios apreendidos em telefones celulares e computadores dos investigados.
Primo e Beto Louco estão foragidos desde a deflagração da 1ª fase da Operação Carbono Oculto, em 28 de agosto de 2025, quando tiveram a prisão decretada no Paraná. A Reag acabou liquidada pelo Banco Central e seu fundador e antigo proprietário, João Carlos Mansur, fechou no começo do mês um acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República. A reportagem procurou a defesa dos investigados, mas não conseguiu localizá-los. O espaço segue aberto.
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