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Dólar tem leve alta e vai a R$ 5,0289 com inflação mais forte nos EUA

Estadão

Após tocar R$ 5,05 em uma arrancada pela manhã, o dólar perdeu fôlego ao longo da tarde, acompanhando a desaceleração dos ganhos da moeda americana no exterior e a virada dos Treasuries longos para o campo negativo, e fechou em leve alta, na casa de R$ 5,02.

Apesar da proximidade da corrida presidencial, a dinâmica de formação da taxa de câmbio foi ditada pelo cenário externo. A leitura da inflação ao consumidor americano acima das expectativas reforçou as expectativas de mais aperto monetário nos EUA, o que deu força ao dólar.

O real apresentou perdas bem inferiores às dos pares. Operadores avaliam que parte do crescimento de presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas de intenção de voto já teria sido refletida no câmbio, embora seja grande a expectativa pela divulgação de levantamento da Quaest, às 18h. Amanhã, sai sondagem do Datafolha.

O operador sênior Fernando Cesar, da AGK Corretora, observa que a pesquisa do BTG/Nexus, divulgada na terça, já mostrou o estreitamento da vantagem de Flávio Bolsonaro, o que tirou certo fôlego do real e levou a taxa de câmbio de volta ao nível de R$ 5,00. "Se as próximas pesquisas não trouxerem novidade, o dólar pode cair um pouco. Se a diferença diminuir, podemos ver aumento das tensões", afirma Cesar.

Após rondar R$ 5,03 nas últimas horas do pregão, dólar à vista terminou o dia em alta de 0,17%, a R$ 5,0289. Apesar da alta nos dois últimos pregões, quando voltou a superar a faixa de R$ 5,00, a moeda americana ainda recua 2,82% em outubro - o que leva a desvalorização acumulada em 2026 a 8,38%. O real tem o segundo melhor desempenho entre as moedas mais líquidas no ano, atrás apenas do peso colombiano.

Dados divulgados à tarde pelo Banco Central revelam que houve entrada expressiva de dólares no País na semana passada, após o primeiro turno da eleição presidencial. O fluxo cambial entre 5 e 9 de outubro foi positivo em US$ 2,416 bilhões, com entrada líquida de US$ 4,127 bilhões pelo canal financeiro, que abrange, entre outros, investimentos em carteira. Em outubro, até o dia 9, o fluxo total é positivo em US$ 3,214 bilhões.

O economista e sócio-fundador da Eytse Estratégia, Sérgio Goldenstein, destaca que o real apresentou com "folga, o melhor desempenho entre as moedas emergentes" na semana passada. "O movimento refletiu a queda do prêmio de risco, os ingressos líquidos no mercado à vista e as movimentações em derivativos cambiais na B3", afirma Goldenstein, destacando que os investidores não residentes reduziram, no período, a posição "comprada" em dólar em US$ 3,1 bilhões.

No exterior, o índice DXY - que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes - subia 0,35% por volta das 17h, aos 102,534 pontos, após atingir a máxima de 102,945 pontos pela manhã, quando alcançou o maior nível em 18 meses. Os preços do petróleo fecharam em leve alta, com o barril do Brent a US$ 106, em meio à continuidade dos ataques no Oriente Médio.

O gatilho para a escalada do DXY foi a leitura do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) em setembro. O índice cheio acelerou em linha com o esperado, mas o núcleo - que exclui itens mais voláteis - superou as estimativas. A ferramenta FedWatch, do CME Group, chegou a mostrar, pontualmente, pela manhã, chances de mais de 50% de nova alta de juros pelo Federal Reserve em outubro.

Para o economista-chefe internacional do banco ING, James Knightley, o CPI provavelmente não será suficiente para levar a uma alta de juros em outubro, tendo em vista que vários dirigentes do Fed disseram recentemente que não há pressa em apertar a política monetária.

"Em termos de perspectiva para a inflação, muito depende do que acontecer no Estreito de Ormuz. Os preços dos combustíveis continuam a subir e correm o risco de se refletir em uma gama mais ampla de categorias de preços", afirma Knightley, em nota.

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