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Dólar tem leve alta e vai a R$ 5,11 em dia negativo para divisas emergentes

Estadão

O dólar manteve-se em alta no mercado doméstico ao longo da tarde desta sexta-feira, 17, alinhado ao comportamento da moeda americana em relação às divisas emergentes, mas se afastou das máximas observadas pela manhã. O dia foi marcado por forte aversão global ao risco diante da escalada do conflito no Oriente Médio, que levou a uma nova disparada dos preços do petróleo, e do tombo das ações de tecnologia.

O real apresentou perdas inferiores às de seus principais pares, com a perspectiva de melhora dos termos de troca em razão dos preços mais elevados do petróleo contrabalançando parcialmente a piora do ambiente externo. O tarifaço americano sobre produtos brasileiros e seus desdobramentos político-eleitorais já foram absorvidos e ficaram em segundo plano nesta sexta.

Com mínima de R$ 5,1053 e máxima de R$ 5,1334, o dólar à vista encerrou a sessão desta sexta em alta de 0,24%, a R$ 5,1112, praticamente zerando a variação na semana (+0,05%). A moeda americana recua 1% frente ao real em julho, após valorização de 2,38% no mês passado. No ano, as perdas são de 6,88%.

"Temos um dia de aversão ao risco generalizada, com alta forte do petróleo. O real está um pouco melhor que as demais moedas emergentes, como o peso chileno e o mexicano, além do rand sul-africano", afirma o diretor de Tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt.

O tesoureiro pondera que o real ainda é, de certa forma, protegido pelo carry elevado e pela melhora recente dos termos de troca, uma vez que o Brasil é grande exportador de petróleo. Ele destaca o forte aumento das vendas brasileiras para a China no primeiro semestre, compensando o recuo das exportações para os EUA.

"Acho difícil a taxa de câmbio passar de R$ 5,20. Mesmo com o dólar subindo lá fora, o real deve ter desempenho melhor que o de outras moedas emergentes", afirma Weigt, para quem o novo tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros não tem impacto relevante na formação da taxa de câmbio.

Os preços do petróleo subiram mais de 4% com o recrudescimento dos ataques no Oriente Médio e o comprometimento do tráfego de embarcações pelo Estreito de Ormuz. O contrato do Brent para setembro - referência para a Petrobras - fechou em alta de 4,59%, a US$ 88,10 o barril. Já o WTI para agosto, que baliza os preços dos combustíveis nos EUA, avançou 4,47%, para US$ 81,78 o barril.

Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY oscilava ao redor da estabilidade, na casa dos 100,700 pontos. A busca por segurança deu fôlego ao franco suíço, ao passo que a coroa norueguesa foi impulsionada pela arrancada do petróleo. O Dollar Index termina a semana em queda de pouco menos de 0,20% e recua quase 0,50% no mês.

Investidores ainda aguardam os desdobramentos do conflito no Oriente Médio para avaliar em que nível os preços do petróleo vão se estabilizar e qual será o impacto na dinâmica inflacionária. A deflação dos preços ao consumidor e ao produtor nos EUA em junho reduziu os temores de um aperto monetário iminente, apesar do discurso conservador dos dirigentes do Federal Reserve.

O estrategista de câmbio Francesco Pesole, do banco ING, chama a atenção para a baixa volatilidade do DXY, a despeito da retomada do conflito no Oriente Médio e da perspectiva de alta de juros nos EUA. No momento, pondera, aumentaram os riscos tanto de maior volatilidade quanto de uma valorização do DXY.

"Quanto mais tempo os preços do petróleo apenas precificarem parcialmente um novo choque de oferta, maior será o risco de altas não lineares", afirma Pesole, ressaltando que "o cenário de curto prazo parece muito menos favorável para quem aposta contra o dólar".

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