RIO - A interrompe uma sequência de oito taxas negativas, mas investimentos e consumo das famílias — essenciais para a retomada — permanecem em queda, colocando em risco a trajetória de recuperação.
O consumo das famílias registrou perdas pelo nono trimestre seguido, embora em ritmo menor. A queda foi de 0,1% no primeiro trimestre, em relação ao quarto trimestre de 2016 — nos últimos três meses de 2016, o recuo tinha sido de 0,5%. Na comparação com o primeiro trimestre de 2016, a retração foi de 1,9%. O ritmo também é inferior ao do quarto trimestre, quando a taxa tinha sido negativa em 2,9%.
Juros um pouco menor, assim como a inflação, e a recomposição da renda das famílias ajudaram a segurar um pouco a queda do consumo das famílias. Continuam contribuindo para essa queda e o saldo das operações de crédito para pessoa física, que teve queda em termos reais nesse período.
Os investimentos também mostram pouco otimismo com o futuro da economia. A taxa de investimento, que ficou em 15,6%, é menor da série, iniciada em 1996, para os primeiros trimestres.
A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) — indicador de investimento que mede máquinas e equipamentos e construção civil — caiu 1,6% frente ao quarto trimestre. O indicador acumula taxas negativas desde o último trimestre de 2013: a única exceção foi a variação de 0,1% no segundo trimestre de 2016.
Já em relação ao primeiro trimestre de 2016, o recuo foi de 3,7% — a maior queda entre os indicadores de demanda do PIB. Na comparação anual, são 12 trimestres seguidos de taxas negativas. Segundo o IBGE, o desempenho no primeiro trimestre foi influenciado por menor importação de máquinas e equipamentos e o desempenho negativo da construção. Ambos influenciados por uma menor demanda, e a construção também impactada pela queda dos investimentos pelo governo.
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