A eventual redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas pode elevar os custos da indústria de alimentos em cerca de R$ 23 bilhões por ano, segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia), João Dornellas. O cálculo considera o impacto da diminuição das horas trabalhadas, mantendo o mesmo nível de remuneração.
Para o executivo, a discussão sobre mudanças na jornada é "legítima", mas precisa considerar as particularidades de cada setor e prever uma implementação gradual para evitar impactos abruptos sobre custos e preços.
"Reconhecemos a legitimidade do debate sobre modernização da jornada e a importância de promover qualidade de vida para os trabalhadores", afirmou ele, em entrevista à imprensa. "Mas uma mudança dessa magnitude precisa ser feita com base técnica, previsibilidade e respeitando a especificidade de cada setor."
De acordo com Dornellas, a indústria de alimentos é intensiva em mão de obra, o que amplia a sensibilidade do setor a alterações na jornada semanal. "Quando se reduz a jornada e se mantém o mesmo salário, há um aumento de custo, que em algum momento pode acabar sendo repassado ao preço do produto."
O executivo ressaltou que mudanças desse tipo costumam ser implementadas gradualmente em outros países. "Em outros países, a redução da jornada foi implementada ao longo de uma década ou até 15 anos, permitindo que empresas e economia se adaptassem."
Para a entidade, a discussão também precisa diferenciar jornada de trabalho e escala de trabalho, já que a organização dos turnos varia de acordo com a atividade econômica. "A jornada está definida na Constituição, mas a escala é muito ligada à realidade de cada setor", afirmou Dornellas.

