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Fitch indica que resultado das eleições pode afetar ainda mais confiança dos investidores

NOVA YORK — Na avaliação da agência de risco Fitch Ratings, as eleições de outubro serão fundamentais para determinar o ritmo, a escala e a natureza das futuras reformas econômicas no Brasil. A agência indica, por meio de relatório, que sem reformas sustentadas, os déficits fiscais continuarão elevados e a dinâmica da dívida do governo será adversa. Este cenário, de acordo com a análise, afetará ainda mais a confiança dos investidores e a atividade econômica.

A Fitch pontua que o resultado das eleições parlamentares e presidencial definirão o cenário de médio prazo no que diz respeito às questões econômica e fiscal do Brasil. A agência ressalta que os candidatos que concorrem ao Planalto têm plataformas muito variadas, com várias visões sobre os problemas financeiros do país.

"Um congresso fragmentado e as dificuldades potenciais na formação de uma coalizão legislativa viável também poderiam aumentar as incertezas políticas sob a nova administração. Notavelmente, alguns dos principais candidatos pertencem a partidos menores, o que pode aumentar os desafios no trabalho com o novo Congresso", diz um trecho do relatório.

Na avaliação da agência, o Brasil enfrenta uma série de desafios macroeconômicos e fiscais estruturais que se encaminham para o ciclo eleitoral. Os grandes déficits fiscais do governo geral e o aumento do endividamento em meio a uma morna recuperação econômica limitarão seriamente a flexibilidade política do novo governo, de acordo com a Fitch.

Além do cenário de desarranjo local, a agência de risco lembra que há fatores externos que, juntos com o cenário eleitoral brasileiro, podem intensificar a situação de dificuldade econômica do país.

"Os riscos externos ligados ao aumento das taxas de juros dos EUA, potenciais atritos comerciais globais e uma desaceleração na China também poderiam aumentar as vulnerabilidades. Qualquer deterioração no ambiente político pós-eleitoral poderia desafiar ainda mais o crescimento. Ao mesmo tempo, as perspectivas de reformas estruturais para impulsionar o fraco crescimento potencial permanecem incertas", explica a Fitch.

Como solução para contornar o problema, a Fitch indica que a abordagem do governo para enfrentar os desafios fiscais estruturais será fundamental para a trajetória de déficits e dívidas soberanas de médio e longo prazo. A reforma da previdência social, em particular, provavelmente estará entre as questões políticas mais importantes a serem tratadas, destaca a agência. A explicação para isso é porque ela representa mais de 40% das despesas primárias.

"A consolidação de programas sociais, a alteração da fórmula de crescimento do salário mínimo e a revisão de outros gastos obrigatórios também serão importantes. A Fitch acredita que uma consolidação do déficit primário de 4% a 5% do PIB poderia ser necessária no médio prazo para estabilizar e reduzir o ônus da dívida pública" conclui a agência.

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