SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Sob pressão em seu cargo, Jack Dorsey, presidente do Twitter, defendeu publicamente que é capaz de manter sua função tanto na rede social como na Square, empresa de pagamentos que também preside. A permanência no comando do Twitter, empresa que cofundou há 13 anos, passou a ser desafiada quando o fundo Elliot Management comprou US$ 1 bilhão na companhia (cerca de 4%), de acordo com a Bloomberg. O Elliot, fundado pelo bilionário Paul Singer, apoiador do Partido Republicano, é conhecido como um fundo ativista porque provoca mudanças corporativas onde investe, como já fez na Arconic, de manufatura, e na AT&T, de telecomunicações. O fundo defende que haja substituição na presidência por preocupações de governança corporativa, já que o executivo comanda duas companhias de tecnologia e divide seu tempo entre elas. O Elliott já nomeou quatro membros ao conselho do Twitter. Nesta quinta (5), Dorsey afirmou que reconsidera seu plano de morar na África, onde exploraria oportunidades no setor de criptomoedas. A viagem o deixaria longe das empresas que comanda, localizadas em São Francisco. Dorsey expressou que deve resistir à mudança e que pretende se manter na liderança das duas companhias. "Tenho suficiente flexibilidade na minha agenda para focar os aspectos mais importantes e tenho um bom senso do que é crítico em ambas as companhias", afirmou em uma conferência do Morgan Stanley em São Francisco, de acordo com o Financial Times. O perfil de relações institucionais da companhia cita o surto de coronavírus como uma das justificativas para o empresário reconsiderar a ideia de morar na África por seis meses. Dorsey também teria dito que foi "um erro" anunciar seu plano de viagem em 2019 sem dar mais contexto sobre as motivações. O cofundador do Twitter foi nomeado presidente do microblog em 2015, depois de um período afastado do posto. À época, o conselho executivo da rede social considerou que só aceitaria um candidato que pudesse realizar o trabalho em tempo integral. Desde então, as ações da companhia valorizaram 26,9%. Para comparação, nesse mesmo período, outras gigantes que lucram com publicidade digital, como Facebook e Google, valorizaram 95%. No último trimestre de 2019, a receita do Twitter superou US$ 1 bilhão pela primeira vez, e a audiência do serviço online subiu em mais de 20%. A Square é hoje mais valiosa que o Twitter, com US$ 31,8 bilhões contra US$ 26,4 bilhões em valor de mercado. Na empresa de pagamentos, Dorsey tem uma participação de 13%; no Twitter, de 2%. Segundo o Financial Times, analistas sugerem que Dorsey desista da Square para apaziguar as demandas do fundo de hedge de US$ 38 bilhões, em vez de deixar o Twitter. Nesta semana, alguns funcionários saíram em apoio a Dorsey, publicando tuítes com a hashtag #WeBackJack ("Nós apoiamos Jack", na tradução livre). Segundo a imprensa americana, o fundo também teria participação, de US$ 2,5 bilhões, no japonês SoftBank e está forçando mudanças internas.