"Talvez esse governo tenha um discurso mais liberal do que está praticando, concordo. Mas nunca governo nenhum teve uma prática tão liberal quanto este", disse.
Ele participou nesta quarta-feira (29) do evento Latin America Investment Conference 2020, promovido pelo banco Credit Suisse.
A fala do secretário vem um dia após os ex-presidentes do Banco Central Armínio Fraga, Pérsio Árida e Gustavo Franco criticarem, no primeiro dia do mesmo evento, a postura liberal do governo Bolsonaro.
Esse governo é muito menos liberal na política econômica do que o discurso que ele vende. Na abertura comercial, não aconteceu praticamente nada. Na privatização, não aconteceu nada. Um ano de casamento arranjado, como disse o Gustavo, sem amor verdadeiro, afirmou Arida na terça-feira (28).
Arida, que foi presidente do Banco Central durante o governo FHC e também guru de Geraldo Alckmin na área econômica nas eleições de 2018, disse ainda que o governo deveria avançar para acabar com o FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador).
Em resposta, Mattar disse que ficou fácil criticar o governo, mas que quem criou o FAT foi senador tucano José Serra (PSDB-SP), em 1997.
"O FAT foi feito lá trás com um PL [Projeto de Lei] do Serra. Então eles mesmos vem e falam 'pô, vocês têm que fechar o que nós fizemos'. Pode deixar que nós vamos fechar, sim! Nos deem tempo", afirmou.
"Por isso que eu gasto 80% do meu tempo para desconstruir o passado, o PL do Serra, e só tenho 20% para pavimentar o futuro do país", disse.
De acordo com o secretário, entre subsidiárias, coligadas e simples participações a União tinha 698 ativos quando o governo começou. No ano passado, entre desestatizações e desinvestimentos, foram vendidos 71 desses ativos, com valor total de R$ 105,4 bilhões.
Neste ano, a meta é vender mais 300 ativos, chegando a R$ 150 bilhões, além de passar o projeto de fast-track nas privatizações, que deverá acelerar esse processo de venda.
"Já vendemos sete ativos até agora, conseguindo R$ 7,5 bilhões, dos quais R$ 1,1 bilhão vai para o Tesouro."
Durante sua palestra, o secretário apresentou uma cronologia de desestatização do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) até janeiro de 2022.
De acordo com a projeção, das grandes empresas a previsão é que a Casa da Moeda seja vendida ainda neste ano, em dezembro. Já para 2021, a Dataprev deve ser vendida em junho, a Telebras em julho e Correios e Codesp em dezembro.
Por fim, em janeiro de 2022, deve ser a vez da EBC (Empresa Brasileira de Comunicação).
