A Bolsa de Valores de São Paulo teve nesta semana sua sessão mais fraca desde agosto: o Ibovespa fechou a terça-feira (28/10) com perda de 2,68%, recuando para 171.006 pontos, o menor nível em mais de dois meses. Foi o terceiro pregão consecutivo de queda desde a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no domingo (25/10), movimento que já soma 16,6% de perda no acumulado da semana. O dólar comercial, por sua vez, encerrou o dia praticamente estável, com leve recuo de 0,19%, fechando a R$ 5,34 — mas ainda acumula alta de quase 7% desde a véspera da eleição.
O movimento reflete a cautela de investidores em relação aos próximos passos do governo recém-reeleito no campo fiscal. Entre as explicações para a saída de capital está a cobrança por sinais mais claros de controle de gastos públicos, além da reação ao noticiário político em torno da família Bolsonaro e da repercussão internacional do resultado eleitoral.
Para quem mora em Manaus, o dólar ainda na faixa de R$ 5,34 — cerca de 6% mais caro do que o nível de R$ 5,01 registrado antes da eleição — continua pressionando o custo de insumos importados usados pela indústria da Zona Franca, além de passagens aéreas internacionais e produtos eletrônicos trazidos de fora. O crédito também segue mais caro: só nesta semana, um dos maiores bancos do país elevou os juros do financiamento imobiliário para até 18,5% ao ano, reflexo direto do cenário de maior risco percebido pelo mercado.
Analistas têm repetido que o cenário deve continuar sensível a qualquer declaração do novo governo sobre a meta fiscal de 2027, o que pode tanto aliviar quanto intensificar a pressão sobre o dólar e a Bolsa nos próximos dias. Para o consumidor amazonense, a recomendação prática continua a mesma: evitar compras internacionais ou troca de moeda sem necessidade enquanto o cenário não se estabilizar, e ficar atento a reajustes de preços de produtos importados nas próximas semanas.
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