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Ibovespa sobe com apoio de Petrobras após maior série de quedas de 2023

Reuters
Ibovespa sobe com apoio de Petrobras após maior série de quedas de 2023
Ibovespa sobe com apoio de Petrobras após maior série de quedas de 2023

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO, 18 Ago (Reuters) - O Ibovespa avançava nesta terça-feira, buscando encerrar a sua maior sequência de quedas diárias desde 2023, com Petrobras entre os principais suportes, em dia de alta do petróleo no exterior, após o fim do acordo temporário entre Estados Unidos e Irã sem um avanço para o fim do conflito no Oriente Médio.

Por volta de 10h40, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, subia 0,72%, a 167.988,05 pontos. O volume financeiro somava R$2,41 bilhões.

Na véspera, o Ibovespa atingiu 10 sessões seguidas com fechamento negativo, maior série de perdas desde as 13 quedas seguidas de 1º a 17 de agosto de 2023.

Na visão de analistas do Itaú BBA, o Ibovespa segue em tendência de baixa, após o rompimento de suporte em 168.700 pontos, mas a formação de um novo suporte em 164.800 pontos sugere que pode não avançar nas baixas e começar uma recuperação em busca de 173.000 pontos. "Caso o índice supere este patamar, conseguirá abandonar a tendência de baixa e voltará a ficar indefinido", afirmaram no relatório Diário do Grafista.

Por outro lado, eles afirmaram que, se o cenário de repique não se confirmar e a pressão vendedora persistir, a atenção permanece voltada para o suporte de 164.800 pontos. "A perda desse nível poderá intensificar o movimento de baixa, com potencial de deslocamento até as regiões de 161.700 e 156.300 pontos."

Com a temporada de balanços praticamente encerrada no Brasil, analistas do Citi avaliaram que os resultados do segundo trimestre reforçaram uma crescente desconexão entre os fundamentos das empresas e o desempenho de suas ações no Brasil.

"Embora as companhias do Ibovespa tenham apresentado surpresas positivas agregadas de 1,8% em receitas e 5,3% em lucros, as ações caíram, em média, 1,3% após a divulgação dos resultados, sugerindo que boa parte das notícias favoráveis já estava precificada e foi ofuscada por preocupações macroeconômicas", afirmaram em relatório a clientes na noite de segunda-feira. 

Eles destacaram que as recentes saídas de capital estrangeiro, as incertezas em torno do ciclo eleitoral de 2026, as expectativas para os juros e os desdobramentos geopolíticos continuam exercendo influência maior sobre o mercado do que os fundamentos específicos das empresas.

No exterior, o barril de petróleo sob o contrato Brent mostrava alta de 0,41%, a US$91,24, com o arrefecimento das perspectivas de um acordo para pôr fim à guerra no Oriente Médio.

O Irã afirmou que adotará uma postura "totalmente ofensiva" e os EUA descartaram a possibilidade de estender o acordo de cessar-fogo, aumentando as preocupações com interrupções prolongadas no fornecimento de energia.

Em Wall Street, o S&P 500 cedia 0,44%, enquanto o rendimento do título de 10 anos do Tesouro dos EUA subia a 7,7299%, de 4,724% na véspera, em meio a preocupações com a inflação. 

DESTAQUES

• VALE ON avançava 0,55%, em dia de alta dos futuros do minério de ferro na China. O contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian registrou alta de 0,85%, para 714 iuanes (US$105,90) por tonelada. No setor, CSN ON era destaque positivo, com elevação de 1,97%.

• PETROBRAS PN subia 1,44%, em mais um pregão de alta dos preços do petróleo no mercado internacional. Na véspera, a diretora de Exploração e Produção da petroleira, Sylvia Anjos, afirmou que a companhia vê boas indicações para a qualidade do óleo encontrado na Bacia da Foz do Amazonas, em águas ultraprofundas do Amapá, mas precisará fazer análises no centro de pesquisas para confirmações.

• ITAÚ UNIBANCO PN subia 0,65%, em dia mais positivo, embora permaneçam as preocupações para o cenário de crédito no país. O banco divulgou na segunda-feira que recebeu autorização preliminar para constituir um banco com licença nacional nos EUA, a ser chamado de Itaú Bank. No setor, BRADESCO PN avançava 0,31%, mas SANTANDER BRASIL UNIT perdia 0,14% e BANCO DO BRASIL ON mostrava decréscimo de 0,11%.

• BRASKEM PNA caía 2,88%, tendo no radar que a joint venture da companhia com o Grupo Idesa do México entrou com um pedido de recuperação judicial nos EUA nesta terça-feira, após chegar a acordos com credores e acionistas para reduzir a dívida em mais de US$920 milhões. A Braskem Idesa afirmou que espera sair do Chapter 11 dentro de 60 a 90 dias, acrescentando que as operações diárias continuarão funcionando normalmente. Na véspera, os papéis da Braskem subiram 5,5%.

• XP, que é listada nos EUA, registrava alta de 1,91% no BDR negociado na B3,  após reportar na segunda-feira lucro líquido ajustado de R$1,384 bilhão no segundo trimestre, alta de 5% em relação ao mesmo período do ano passado, com expansão de receita e dos ativos totais de clientes. O presidente-executivo da instituição, Thiago Maffra, também afirmou que é uma evolução natural a XP ter um banco nos Estados Unidos em um futuro próximo.

(Por Paula Arend Laier; Edição de Eduardo Simões e Michael Susin)

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