Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 23 Set (Reuters) - O Ibovespa oscilava sem convicção nesta terça-feira, com a influência positiva do avanço robusto de Petrobras sendo contrabalaçada pelo cenário externo desfavorável, em pregão ainda marcado pela repercussão de nova pesquisa eleitoral e expectativa para a reunião entre os presidentes de China e Estados Unidos.
Por volta de 11h45 o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, mostrava decréscimo de 0,02%, a 187.394,42 pontos, após recuar a 186.051,21 na mínima até o momento. Na máxima, chegou a 188.772,33 pontos. O volume financeiro somava R$8,2 bilhões.
Na visão de Pedro Moreira, sócio do escritório de investimentos One, o mercado está em modo espera para o encontro entre os presidentes dos EUA, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, previsto para quinta-feira. "É o ponto crucial da semana", afirmou, avaliando que o mercado deve ficar "lateralizado" nesta sessão no aguardo do desfecho de tal reunião em Washington.
Em Wall Street, o S&P 500 cedia 0,54%, enquanto o rendimento do título de 10 anos avançava a 5,066%, de 4,967% na véspera, em meio a retomada da alta dos preços do petróleo no mercado internacional.
No Brasil, pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a liderar as intenções de voto contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno da eleição presidencial, embora os candidatos permaneçam em empate técnico. De acordo com a apuração, Lula obteria 47,7% dos votos, ante 46,8% da pesquisa anterior, enquanto Flávio teria 47,4% das intenções ante 47,2%.
De acordo com Mateus Hammes, head de investimento da Ludo Capital, as pesquisas continuam mostrando um cenário binário com desfecho em aberto e qualquer novo levantamento pode servir como gatilho para volatilidade nos negócios.
Hammes pontuou que há um entendimento crescente de que a oposição teria uma política econômica mais alinhada aos interesses de investidores, com defesa de Estado mais enxuto e apoio a reformas estruturais, o que explica movimentos mais positivos no pregão quando a disputa fica mais acirrada e mais negativos quando o incumbente tem desempenho melhor.
DESTAQUES
• PETROBRAS PN avançava 2,79% e PETROBRAS ON subia 2,89%, endossadas pelo avanço dos preços do petróleo no exterior, onde o barril sob o contrato Brent subia 2,43%, a US$101,66. Analistas do UBS BB também elevaram o preço-alvo para as ações da estatal a R$62 ante R$60 e reiteraram recomendação de compra.
• ITAÚ UNIBANCO PN subia 0,12%, em dia misto no setor, com BRADESCO PN em alta de 0,43%, mas BANCO DO BRASIL ON cedendo 0,93%, BTG PACTUAL UNIT perdendo 0,14% e SANTANDER BRASIL UNIT caindo 0,34%.
• VALE ON recuava 1,14%, em sessão com oscilação modesta dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian encerrou o pregão diurno com acréscimo de 0,07%. No setor de mineração e siderurgia, CSN ON era o destaque de baixa com declínio de 3,34%.
• LOCALIZA ON avançava 1,66%, após o conselho de administração da empresa de aluguel de veículos e gestão de frotas aprovar quase R$615 milhões em juros sobre capital próprio (JCP). A decisão mantém a consistência na remuneração aos acionistas, afirmaram analistas do Citi, destacando que o pagamento veio ligeiramente acima das estimativas deles, "embora ainda se mostre saudável, considerando o bom potencial de geração de fluxo de caixa livre (FCF) da companhia".
• COPEL ON caía 1,55%, em sessão negativa para elétricas, com o índice do setor na B3 recuando 1,23%.
(Edição Alberto Alerigi Jr.)
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