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Ibovespa vai pela 1ª vez aos 195 mil pontos, em 15º recorde no ano

Estadão

A expectativa de que Israel venha a interromper também a ofensiva no Líbano, reforçando o cessar-fogo de Estados Unidos com o Irã, deu fôlego aos ativos globais ao longo da tarde, mantendo o Ibovespa pelo segundo dia em renovação de recordes, tanto no intradia como no fechamento, em ambos os casos pela primeira vez, nesta quinta-feira, na casa dos 195 mil pontos. Saindo de mínima na abertura aos 192.206,22 pontos, o índice da B3 tocou máxima na sessão aos 195.513,91 pontos e encerrou ainda em alta de 1,52%, aos 195.129,25 pontos, no campo positivo pela oitava sessão e em recorde de fechamento pela 15ª vez no ano.

No agregado das seis primeiras sessões de abril, avança 4,09% no mês, colocando o ganho do ano a 21,10%. Na semana, a alta é de 3,76%. O giro financeiro desta quinta-feira se manteve reforçado como na quarta, nesta quinta a R$ 37,2 bilhões.

Em Nova York, os três índices de referência para ações também operaram em alta, mas com variações menos expressivas do que a vista na B3 - no fechamento, Dow Jones +0,58%, S&P 500 +0,62%, Nasdaq +0,83%. Tanto os rendimentos dos Treasuries como a curva do DI cederam terreno na sessão, assim como o dólar frente ao real, cotado a R$ 5,0634 no fechamento do câmbio, em baixa de 0,77%, com mínima do dia a R$ 5,0588. O petróleo, por sua vez, após a forte queda de dois dígitos no dia anterior, teve recuperação parcial em Londres e Nova York nesta quinta-feira.

Neste começo de abril, o dólar já acumula perda de 2,22%, enquanto o Ibovespa sobe pouco mais de 4%. Dessa forma, em novo nível nominal recorde para o índice da B3, na moeda americana o Ibovespa chega agora a 38.537,19 pontos. Com a moeda americana então em alta de 0,87% no acumulado de março, o Ibovespa em dólar tinha fechado o mês passado a 36.199,32 pontos.

Em dólar, no fim de fevereiro, estava em 36.771,90 pontos, com a moeda americana, então, ainda em baixa no mês. No fechamento de janeiro, o Ibovespa havia chegado a 34.561,30 pontos, refletindo também a queda de 4,40% acumulada pela moeda americana frente ao real no primeiro mês do ano. Mesmo com a apreciação em moeda forte, a percepção é de que ainda há precificação favorável às ações brasileiras, e que a demanda por compras continua a ser sustentada pelo fluxo estrangeiro.

Dessa forma, uma "proxy" do Ibovespa muito associada à demanda estrangeira, o EWZ, principal fundo ETF de Brasil em Nova York, subia mais de 2%, andando à frente do desempenho do Ibovespa no período da tarde, assim como os ADRs de Petrobras em relação às respectivas ações da estatal na B3, o que mostra a visão positiva do estrangeiro quanto ao mercado de ações brasileiro, ainda percebido como oportunidade, observa Bruno Takeo, estrategista da Potenza. Na visão de fora, explica Takeo, o Brasil está barato porque a comparação é também com as empresas pares, do exterior.

No quadro mais amplo, a confiança dos investidores foi reforçada nesta quinta-feira pela notícia de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu a Israel a suspensão de ataques ao Líbano para que seja consolidado o cessar-fogo com o Irã. Em outro desdobramento favorável, o Irã teria se comprometido a permitir a passagem de 15 navios por dia pelo Estreito de Ormuz. E, ainda no começo da tarde, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que negociações diretas de cessar-fogo com o Líbano devem começar o mais rápido possível. Por outro lado, o portal Axios reportou, com base em fonte, que mesmo com negociações, um cessar-fogo de Israel no Líbano não deve ser efetivado.

Na B3, com os investidores mais inclinados a pensar que uma trégua tende a se consolidar, abrindo caminho para alguma paz, a recuperação das ações de primeira linha foi generalizada, à exceção, no fechamento, de Vale ON, em baixa de 1,05%. Entre os maiores bancos, os ganhos do dia chegaram a 1,71% em Itaú PN, principal papel do setor, e a 1,81% em Santander Unit. E Petrobras, que na quarta havia destoado das demais blue chips, nesta quinta acompanhou a recuperação do petróleo, com a ON em alta de 2,93% e a PN, de 2,77%, acentuando ganhos perto do fechamento.

Na ponta vencedora do Ibovespa, Usiminas (+6,08%), Auren (+5,06%) e C&A (também +5,06%). No lado oposto, Totvs (-3,20%), MBRF (-2,83%) e Natura (-1,45%).

"Cessar-fogo é frágil, mas a situação atual é melhor apesar de se estar ainda muito longe de um final para o conflito, que pode persistir por muito tempo", diz Matheus Spiess, analista da Empiricus Research. Ele se refere a mais do que prováveis "solavancos" pela frente, tendo em vista que as tensões desta quinta são o resultado de desdobramentos geopolíticos que remontam a 2023, e que vêm se desenvolvendo em fases ou etapas desde os ataques do Hamas no sul de Israel, em outubro daquele ano.

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