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Impacto das tarifas de Trump sobre café é maior em novos contratos, dizem exportadores

BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - O setor cafeeiro, cujas exportações aos Estados Unidos estão entre as mais afetadas pelas tarifas de 50% impostas pelo presidente Donald Trump, afirma que não trabalha com a hipótese de interrupção do fornecimento do produto ao mercado americano.

Para o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), o impacto das novas taxas pode aparecer principalmente sobre os novos contratos para a importação da commodity.

"Quando você tem uma incerteza, que pode ser de tarifa ou de qualquer questão geopolítica, um importador ou um exportador vai esperar que as coisas estejam mais claras para negociar", disse Marcio Cândido Ferreira, presidente do conselho deliberativo do Cecafé.

"Mas em nenhum momento [houve relatos de] parar embarque, suspender embarque... Eu vou falar que comercialmente, a tensão está sendo muito menor do que a gente vê de fato acontecendo", completou o dirigente, em entrevista coletiva nesta quarta-feira (16).

Reportagem da agência Reuters relatou, no entanto, que traders de commodities estão correndo contra o tempo para descarregar a maior quantidade possível de café brasileiro nos EUA.

Entre as medidas adotadas, estão o desvio de navios de outros portos e envio de estoque da commodity que há em países vizinhos para que ingressem em território americano até 1º de agosto, data estabelecida para que as tarifas de 50% passem a vigorar.

O Cecafé diz confiar nas negociações entre os dois países, que acontecem também em âmbito privado, junto a National Coffee Association, principal entidade do setor nos EUA.

O presidente do conselho afirmou apostar na importância do café brasileiro para o mercado de consumo americano como um fator que irá contribuir para o avanço das tratativas. Segundo dados da entidade, um terço de todo o café consumido nos EUA tem origem no Brasil.

"A gente sente que o café está bem avançado nas instituições e pode inclusive ajudar a construir pontes", disse Marcos Antonio Matos, diretor geral do Cecafé.

Questionada sobre a possibilidade de os preços do café caírem no mercado brasileiro diante das tarifas americanas, a entidade que representa os exportadores disse que a discussão é prematura.

Mesmo em um cenário de permanência das novas taxas, o produto brasileiro continuaria com mercado consumidor nos EUA, disse o presidente do Cecafé.

"O café brasileiro agrega corpo e doçura no blend americano e é o mais competitivo em relação a outros mercados. Então a tarifa, ainda que afete o consumidor e o produtor, ele se dilui sem mudar o hábito de consumo", afirmou Ferreira.

Caso entre em vigor, a taxação sobre o café deve afetar principalmente a economia de Minas Gerais, o principal estado produtor do Brasil.

Do US$ 1,19 bilhão (R$ 6,63 bilhões) que o estado exportou para os americanos no primeiro semestre no setor de agronegócio, US$ 956 milhões (R$ 5,3 bilhões) tiveram origem no café.

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