Por Camila Moreira e Rodrigo Viga Gaier
SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO, 10 Abr (Reuters) - Os preços de Transportes e Alimentação pressionaram a inflação ao consumidor no Brasil, que atingiu em março a taxa mais alta em cerca de um ano, em meio às incertezas provocadas pelo conflito no Oriente Médio, levando o índice em 12 meses para mais perto do teto da meta.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve em março alta de 0,88%, depois de ter subido 0,70% em fevereiro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira. Esse foi o resultado mensal mais alto desde fevereiro de 2025, quando a taxa foi de 1,31%.
Nos 12 meses até março, o IPCA acumulou avanço de 4,14%, de 3,81% no mês anterior. A meta contínua para a inflação é de 3,0%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. Assim, o teto da meta é de 4,50%.
Os resultados ficaram acima das expectativas em pesquisa da Reuters, de altas de 0,77% no mês e de 4,0% em 12 meses.
O Banco Central decidiu em março cortar a taxa básica Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,75%, pregando cautela diante da guerra no Oriente Médio. A autoridade monetária a volta se reunir no final deste mês.
A guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã vem provocando preocupações sobre a inflação diante das altas nos preços globais do petróleo devido ao fechamento do Estreito de Ormuz. Na semana passada, a Petrobras anunciou reajuste de 54,8% nos preços do querosene de aviação para abril.
“Em alguns subitens, especialmente nos combustíveis, já se sente o efeito das incertezas no cenário internacional”, disse o gerente do IPCA no IBGE, Fernando Gonçalves.
Em março, os preços dos grupos Transportes e Alimentação e bebidas responderam juntos por 76% do IPCA.
O grupo Transportes avançou no mês 1,64%, com destaque para a alta de 4,59% da gasolina. Outras altas foram registradas em passagem aérea (6,08%) e diesel (13,90%), embora com menos impacto devido aos menores pesos desses subitens no índice geral.
Já Alimentação e bebidas subiu 1,56%, sob os pesos das altas de leite longa vida (11,74%) e tomate (20,31%).
"No grupo alimentação, em especial na alimentação em casa, a aceleração no nível de preços foi mais evidente, com a alta de 1,94%, a maior desde abril de 2022, combinando efeitos de redução de oferta de alguns produtos com altas do frete, em decorrência dos combustíveis mais caros”, disse Gonçalves.
A inflação de serviços, por sua vez, desacelerou em março, chegando a 0,53%, de 1,51% no mês anterior.
O índice de difusão, que mostra o espalhamento das variações de preços, subiu em março para 67%, de 61% em fevereiro.
A mais recente pesquisa Focus do BC mostra que a projeção para o IPCA é de alta de 4,36% em 2026, indo a 3,85% em 2027.
(Edição de Fabrício de Castro)



