Por Francesco Canepa
FRANKFURT, 14 Set (Reuters) - O Banco Central Europeu pode precisar aumentar gradualmente as taxas de juros para conter a inflação antes que a alta nos custos dos combustíveis devido à guerra no Irã comece a se refletir nos salários e em outros preços, afirmou o membro do BCE Martins Kazaks à Reuters.
O BCE elevou sua taxa básica na quinta-feira — de 2,25% para 2,5% — pela segunda vez neste ano e alertou que as pressões sobre os preços decorrentes do conflito no Irã podem se mostrar duradouras, alimentando apostas em mais aperto monetário já em outubro.
Kazaks, presidente do banco central da Letônia, vê espaço para novos aumentos já que os preços da energia e a inflação em geral permanecem elevados.
“Os argumentos a favor de mais aperto estão se aumentando”, disse ele em entrevista por telefone.
Kazaks acrescentou que 2,5%, valor que o BCE descreveu como o limite superior da faixa neutra, que nem estimula nem restringe o crescimento , não deve ser visto como um teto.
“A taxa de juros pode precisar entrar em território restritivo”, disse ele. “Não há um limiar invisível, nem um patamar mais alto a ser alcançado, para que a taxa ultrapasse 2,50%.”
A inflação anual na zona do euro ficou em 3,3% em agosto, e o BCE estima que ela subirá ainda mais nos próximos meses.
Kazaks não quis se pronunciar sobre se um novo aumento já pode ocorrer em outubro, mas afirmou que o BCE pode agir “gradualmente” e “sem pressa”.
“Se agirmos gradualmente, estaremos bem posicionados”, disse ele. “Graças às decisões anteriores que se mostraram adequadas, até o momento podemos nos dar ao luxo de agir sem pressa ou nervosismo.”
Ele destacou que a economia da zona do euro está operando em plena capacidade, de modo que os custos mais altos dos combustíveis podem ser repassados com mais facilidade.
“O hiato do produto está se fechando, o que significa que o repasse para os preços e salários pode se intensificar”, disse ele. “Isso representa claramente um risco de alta para a inflação.”




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