Por Leigh Thomas e Ingrid Melander
PARIS, 27 Ago (Reuters) - A líder da extrema-direita, Marine Le Pen, procurou conquistar os líderes empresariais da França nesta quinta-feira, prometendo, durante o primeiro debate presidencial com seus principais rivais, colocar as finanças públicas de volta nos trilhos caso chegue ao poder no ano que vem.
O debate, organizado pela Medef, principal associação empresarial da França, começou com Le Pen, o candidato da extrema-esquerda Jean-Luc Mélenchon e outros candidatos sorrindo e apertando as mãos, mas logo se tornou mais tenso, com os candidatos acusando-se mutuamente de apresentar propostas perigosas sobre a dívida e as aposentadorias.
“O governo deve cortar drasticamente seus gastos”, disse Le Pen quando questionada sobre como sanaria as finanças precárias da França. Enquanto Mélenchon afirmou que “jogaria” parte da dívida francesa no fogo, Le Pen enfatizou que a pagaria.
Desde o início da pandemia, sucessivos governos franceses têm enfrentado dificuldades para controlar as finanças públicas, deixando o país com um dos maiores déficits fiscais da zona do euro e uma dívida recorde de 117% do PIB.
As pesquisas de opinião apontam consistentemente que Le Pen, que se posiciona contra a imigração e é eurocética, vencerá o primeiro turno das eleições em abril de 2027 por uma ampla margem, além de estar bem posicionada para vencer o segundo turno em maio.
As últimas pesquisas indicam que Mélenchon pode ser seu rival no segundo turno, enquanto outras apontam que o ex-primeiro-ministro de centro-direita Édouard Philippe chegará ao segundo turno.
NERVOSISMO DOS INVESTIDORES
O debate desta quinta-feira era visto como um grande teste para Le Pen diante de executivos de grandes empresas, que há muito se mostram céticos quanto às suas credenciais econômicas. Ela afirmou que os detalhes de seu programa econômico serão divulgados nas próximas semanas.
O candidato de centro-esquerda Raphael Glucksmann recebeu alguns aplausos ao criticar Le Pen por seus planos de imigração, afirmando que reduzir a imigração não resolveria as finanças da França. Antes disso, Le Pen entrou em confronto com o ex-primeiro-ministro Gabriel Attal, candidato de centro-direita, sobre a questão da dívida.
As ações das principais empresas francesas atingiram a menor cotação em um mês no início desta quinta, com os investidores preocupados com o orçamento a ser apresentado e os riscos políticos, antes das eleições presidenciais do ano que vem.
Mélenchon afirmou que uma maneira de reduzir drasticamente o déficit da França seria eliminar todos os subsídios às empresas.
Philippe disse que essa era uma ideia perigosa e sugeriu que os franceses precisariam trabalhar por mais tempo para que o país colocasse suas finanças públicas em ordem.
EMPRESÁRIOS PESSIMISTAS
Uma pesquisa de opinião realizada pela OpinionWay para a Medef mostra que 82% dos empresários estão pessimistas quanto ao impacto das políticas do próximo presidente sobre a economia — seja quem for esse presidente.
Enquanto isso, a França enfrenta uma batalha orçamentária anual particularmente perigosa nos próximos meses, à medida que os partidos políticos disputam posições antes da eleição presidencial, enquanto investidores ansiosos buscam sinais de que Paris possa recuperar o controle de suas finanças públicas.
O governo minoritário do primeiro-ministro Sébastien Lecornu deve definir sua meta de déficit para 2027 nas próximas semanas e precisa apresentar um projeto de lei ao Parlamento até 6 de outubro.
A líder dos Verdes, Marine Tondelier, e o líder conservador Bruno Retailleau também participaram do debate desta quinta-feira.
(Reportagem adicional de Sudip Kar-Gupta; )



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