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Leilão de linhas de transmissão movimenta R$ 12,7 bilhões

SÃO PAULO — A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) conseguiu comercializar 31 dos 35 lotes ofertados no leilão de transmissão realizado nesta segunda-feira na B3 (ex-BM&F Bovespa). Os vencedores dos lotes vendidos terão de investir R$ 12,7 bilhões em instalações que devem entrar em funcionamento em prazos que variam de 36 a 60 meses.

O deságio (desconto sobre a receita teto oferecida para os investidores) médio oferecido pelos vencedores foi de 36%. Mas, em alguns trechos, por conta da ampla disputa, o desconto superou 50%.

Para Moreira Franco, ministro-chefe do Secretaria-Geral da Presidência, e para Fernando Bezerra Filho, ministro de Minas e Energia, o resultado do leilão foi um “sucesso” e mostra a retomada na confiança na economia brasileira.

— O importante desse leilão é que o deságio foi mais alto e isso significa preços mais baixos (de energia) para o consumidor — afirmou Moreira Franco, para completar: — Com esse leilão estamos completando 50% de realização de concessões dos ativos apresentados na primeira reunião do PPI (Programa Parcerias de Investimentos) — salientou.

Foram oferecidas concessões para construção, operação e manutenção de 7,4 mil quilômetros de linhas de transmissão em 20 estados, com investimento previsto de R$ 13,1 bilhões. Como quatro lotes não tiveram interessados, o investimento total terminou em R$ 12,7 bilhões.

Entre os principais lotes leiloados estão linhas entre Minas Gerais e São Paulo (lote 19), que tinha valor máximo de R$ 390,8 milhões, que foi arrematado com deságio de 47,4% pela EDP. O lote 18 de linhas entre São Paulo e Rio de Janeiro, arrematado por consórcio formado pela Alupar e pela Apollo 12 Participações, foi o mais disputado, com 15 propostas, chegando a um deságio de 48% sobre valor máximo de R$ 190 milhões.

O ministro das Minas e Energia disse que “pela qualidade de empresas, pelo apetite delas, o volume de investimento, isso mostra que, de fato, a gente está dando a volta por cima deste momento de recessão”.

— Estou extremamente animado e saio daqui confiante. Isso foi fruto de muita conversa e um trabalho coletivo. As empresas deram demonstração muito clara de confiança no país — afirmou após o leilão.

A empresa que mais comprou neste leilão foi a CTEEP (Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista, controlada pela colombiana ISA) com o arremate de quatro lotes individualmente (5,6,25,29) e um em consórcio (lote 1).

A Elektro, controlada pela espanhola Iberdola, adquiriu quatro lotes de empreendimentos (4, 20, 22 e 27). Em um dos lances, para o lote 20 situado em São Paulo, a companhia ofereceu desconto de 52,93%.

A EDP Energias do Brasil arrematou três lotes individualmente (7,11 e 18) e um em consórcio (lote 21).

O lote 1, no Paraná, por sua vez, representou o maior investimento do leilão, de R$ 1,9 bilhão, e foi arrematado pelo Consórcio Columbia, formado pela transmissora Aliança de Energia Elétrica 50% e pela CTEEP 50%.

O maior deságio do leilão 58,87% ocorreu no lote 10, no Rio Grande do Sul, arrematado pela indiana Sterlite Power Venture, estreante no Brasil.

Ainda arremataram empreendimentos a geradora e transmissora privada Alupar, a Energisa, que atua principalmente em distribuição, e a Vinci Infra, além de outras empresas menos conhecidas no setor, como Arteon Z Energia, e os consórcios LT Norte e Cesbe-Fasttel.

Além destes grupos, participaram ainda do leilão, sem vencer nenhuma disputa até o momento, as elétricas Copel Engie, Equatorial e CPFL, além da italiana Enel, dos grupos financeiros BTG Pactual e Vinci Partners e de empresas de engenharia, como Zopone Engenharia e Geogroup Engenharia.

No último leilão, ocorrido em outubro do ano passado, 3 dos 21 lotes oferecidos ficaram encalhados. O deságio médio foi de 12,07% e a remuneração anual contratada das vencedoras ficou em R$ 2,124 bilhões.

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