Por Philip Blenkinsop
BRUXELAS, 18 Jun (Reuters) - Os líderes da União Europeia debaterão nesta quinta-feira novas medidas mais rigorosas que possam ser necessárias para conter o crescente déficit comercial do bloco com a China e sua forte dependência da segunda maior economia do mundo no que diz respeito a terras raras e outros insumos essenciais.
Diplomatas da UE afirmam que há uma convergência gradual de opiniões entre os 27 membros da UE de que existe um problema com o déficit comercial de bens com a China, que atualmente chega a cerca de 1 bilhão de euros por dia. A situação é ainda mais crítica, já que as tarifas transatlânticas restringem o acesso ao mercado dos Estados Unidos.
“Vivemos agora em um mundo de lobos. Não vivemos mais em um mundo de pôneis rosas e arco-íris”, afirmou um diplomata da UE.
O superávit comercial de bens da China com a UE atingiu 360,6 bilhões de euros em 2025, um aumento de 15% em relação a 2024, e cresceu 10% nos primeiros quatro meses deste ano, à medida que as empresas chinesas venderam mais para a UE e importaram menos.
Pequim também explorou seu domínio no processamento de minerais críticos ao impor restrições à exportação de terras raras em abril de 2025, uma resposta às tarifas do presidente dos EUA, Donald Trump, que também afetaram as empresas da UE.
Consciente de que precisa diversificar seu comércio, a União Europeia firmou várias parcerias no setor mineral e acordos de livre comércio com a Austrália, a Índia e a Indonésia no último ano.
Os líderes da UE, reunidos para uma cúpula em Bruxelas, provavelmente concordarão que é preciso ir além, afirmam diplomatas. A expectativa é de que solicitem à Comissão Europeia, que supervisiona a política comercial do bloco, que dialogue com a China ao mesmo tempo em que reforça as defesas comerciais da UE.
Há menos consenso, no entanto, sobre como isso deve ser feito. Países como a França defendem uma linha mais dura, enquanto a Alemanha, maior exportadora da UE, e a Espanha, que cada vez mais atrai investimentos chineses, se mostram mais cautelosos.
“Há uma certa convergência de pontos de vista e uma análise compartilhada, mas surgem nuances quando se trata de como responder a isso”, disse um segundo diplomata. “Precisamos acertar, porque, do contrário, ficaremos presos a uma situação em que nossa indústria fica dependente da segunda maior economia do mundo.”
A divisão ficou evidente no mês passado, quando França, Itália, Holanda e Lituânia afirmaram, em um documento conjunto, que a UE deveria estudar uma nova medida para limitar a dependência excessiva de países estrangeiros específicos, possivelmente com tarifas adicionais ou cotas para proteger os produtores nacionais.
A Espanha havia sido inicialmente listada como signatária, mas depois se distanciou publicamente do documento.
(Reportagem de Andrew Gray)




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