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Lucro do BNDES cai pela metade no 1º trimestre mesmo com venda de ações da Petrobras

RIO DE JANEIRO , RJ (FOLHAPRESS) - Com a venda de ações da Petrobras realizada em fevereiro, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) registrou lucro de R$ 5,5 bilhões no primeiro trimestre de 2020. O resultado é 50% inferior ao verificado no mesmo período do ano anterior, quando o banco também lucrou com venda de papéis de companhias. O banco decidiu reservar R$ 2,2 bilhões para cobrir possíveis calotes após revisão do risco de crédito de empresas dos setores mais afetados pela pandemia do novo coronavírus. As provisões retiraram R$ 1,7 bilhão do lucro do banco no período. Bancos de capital aberto do país também elevaram as reservas contra calotes no trimestre, derrubando lucros. A operação da Petrobras movimentou R$ 22 bilhões, com a oferta ao mercado de 9,86% das ações com direito a voto da estatal. Foi a maior oferta pública de ações no país desde a capitalização da própria Petrobras, realizada pelo governo Lula em 2010. No primeiro trimestre, o banco vendeu R$ 23,8 bilhões em ações, o que rendeu um lucro de R$ 8,5 bilhões na área de participações acionárias. Já o lucro da área de intermediação financeira, que concede empréstimos, foi de R$ 4,1 bilhões. Com a queda nas Bolsas após o início da pandemia, a carteira de ações do BNDES perdeu R$ 31,4 bilhões em valor de mercado, chegando a valer, no fim do primeiro trimestre, R$ 62 bilhões. "Isso só reforça a importância dessa estratégia de desinvestimento da carteira de ações", disse o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, afirmando que as perdas com participações acionárias podem prejudicar a capacidade de ação anticíclica do banco. O processo de venda de participações começou ainda no governo Michel Temer. No primeiro trimestre de 2019, o banco teve grande lucro com operações envolvendo venda de ações da Fíbria, Vale, grupo Rede e também da Petrobras. Desde o início da pandemia, o BNDES vem anunciando medidas emergenciais para empresas afetadas, como empréstimos para capital de giro e para financiar a folha de pagamento. No entanto, como as linhas são operadas por bancos privados, há críticas no mercado em relação aos juros e à dificuldade para obter o dinheiro. O BNDES disse que já aprovou operações de R$ 13 bilhões em suas ações emergenciais contra os efeitos da pandemia, apoiando empresas que empregam, juntas, 2,2 milhões de pessoas. A maior parte desse valor, porém, refere-se à suspensão do pagamento de dívidas com o próprio banco. A linha de capital de giro para micro, pequenas e médias empresas teve R$ 2,3 bilhões aprovados. O programa para financiamento da folha de pagamentos chega a R$ 1,6 bilhão. O banco diz que o apoio dessa linha contribuiu para o pagamento do salário de 460,5 mil pessoas. Na semana passada, o BNDES lançou edital em busca de parceiros para oferecer crédito a micro e pequenos empresários por meio de canais digitais de pagamento, como maquininhas de cartão ou fintechs. O banco vai colocar R$ 4 bilhões em fundos de crédito com essa finalidade e espera que os parceiros coloquem outros R$ 1 bilhão. O dinheiro, porém, só deve estar disponível entre o fim de junho e o começo de julho, disse o diretor do BNDES.

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