A 3tentos encerrou o segundo trimestre de 2026 com forte queda da rentabilidade, pressionada principalmente pelo negócio de processamento industrial de soja e milho. O lucro líquido ajustado recuou 86,3% na comparação anual, para R$ 14,4 milhões, e o Ebitda ajustado com hedge caiu 64,3%, para R$ 78,7 milhões.
A receita operacional líquida, por outro lado, cresceu 31,9%, para R$ 4,70 bilhões. A companhia opera em três frentes: venda de insumos agrícolas ao produtor, comercialização de grãos e processamento industrial, que inclui esmagamento de soja, biodiesel e, agora, etanol de milho.
A margem Ebitda ajustada com hedge caiu para 1,7%, de 6,2% um ano antes, enquanto a margem líquida ajustada recuou para 0,3%, ante 2,9%.
Segundo o CEO da companhia, João Marcelo Dumoncel, a indústria concentrou a maior parte da pressão sobre o resultado. "O que foi o principal ofensor do resultado do segundo tri é basicamente a rentabilidade do segmento da indústria", afirmou.
A receita das operações industriais cresceu 4,7%, para R$ 2,01 bilhões, mas o negócio foi afetado por preços menores do farelo de soja e do biodiesel e por atrasos em projetos que deveriam ampliar o processamento. O preço do farelo caiu 12% e o do biodiesel, 3%, ante o segundo trimestre de 2025.
A planta de etanol de milho no Vale do Araguaia, em Mato Grosso, começou a operar apenas nos últimos dias de junho. As ampliações das unidades de esmagamento de soja e biodiesel também entraram em funcionamento mais tarde do que a empresa previa.
Dumoncel disse que parte dos custos dessas expansões já pesava no resultado antes de as novas capacidades começarem a gerar receita em nível mais relevante. "Nós já estávamos gastando muito, a estrutura estava toda montada, e o operacional, a receita, o resultado, acabou não vindo porque teve esse atraso", afirmou.
A manutenção da mistura obrigatória de biodiesel em 15%, em vez da esperada elevação para 16%, também pesou. Segundo o CEO, o setor havia ampliado a capacidade à espera de maior demanda pelo biocombustível, que não se concretizou.
Fora da indústria, a receita de Insumos cresceu 24,6%, para R$ 487,3 milhões, e a comercialização de Grãos avançou 76%, para R$ 2,20 bilhões.
O forte crescimento de Grãos, porém, também está ligado aos atrasos industriais. Como a 3tentos processou menos soja e milho do que previa, vendeu diretamente uma parcela maior dos volumes já comprados dos produtores, em vez de transformá-los em farelo, óleo e biodiesel.
Essas vendas de grãos passaram a representar quase 47% da receita do trimestre, ante cerca de 30% normalmente. Como a simples comercialização de grãos tem margem menor do que o processamento industrial e a venda de insumos, a mudança no perfil do faturamento reduziu a margem média da companhia.
"Não é que a margem do grão em si está pior do que seria uma expectativa. É que a participação do grão no total da receita foi maior do que seria o normal da companhia, o que é transitório também", disse Dumoncel.
No primeiro semestre, os números ficaram positivos na comparação anual. A receita cresceu 26,1%, para R$ 8,91 bilhões, o Ebitda ajustado com hedge avançou 12,8%, para R$ 472,9 milhões, e o lucro líquido ajustado aumentou 14,5%, para R$ 245,3 milhões.
Dumoncel disse que a companhia considera o semestre uma fotografia mais representativa por causa da sazonalidade do agronegócio. "Muitas vezes a foto do trimestre acaba sendo distorcida por um atraso de colheita, um atraso de plantio, um deslocamento de receita mínimo que seja", afirmou.



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