SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Lula defende ampliação do comércio no Brics e menor dependência do dólar, L'Oréal vence rivais gigantes para comprar a Aesop da Natura e outros destaques do mercado nesta sexta-feira (14).
**LULA QUER ACABAR COM DEPENDÊNCIA DO DÓLAR**
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, na posse de Dilma Rousseff no Banco do Brics, a ampliação do comércio nas próprias moedas pelos integrantes da instituição e até mesmo uma moeda do grupo Brics.
"Quem é que decidiu que era o dólar? Nós precisamos ter uma moeda que transforme os países numa situação um pouco mais tranquila, porque hoje um país precisa correr atrás de dólar para exportar", afirmou o presidente.
ENTENDA
O objetivo de Lula é evitar que os países dependam apenas do dólar para transações, moeda cuja cotação varia de acordo uma série de circunstâncias.
O Brasil tem uma parceria nesse sentido com a China. No mês passado, eles anunciaram a criação de uma "Clearing House" (câmara de compensação), uma instituição bancária que permite o fechamento de negócios e a concessão de empréstimos entre os dois países sem que o dólar tenha que ser usado.
No Brasil, o ICBC (Banco Industrial e Comercial da China, na sigla em inglês) garante aos empresários a conversão imediata de seus ganhos em real, caso eles decidam fechar negócios em yuan.
Na quarta (12), o ICBC anunciou ter feito a primeira transação na moeda chinesa.
SIM, MAS...
Há dezenas de instituições desse tipo no mundo, mas elas por si só não vão acabar com a dependência dos países à divisa americana. O economista do FMI Nigel Chalk, vice-diretor de Hemisfério Ocidental, disse que esse objetivo é possível, mas muito difícil de ser alcançado.
"Você precisa, por exemplo, de certa profundidade e liquidez nos mercados financeiros, de disponibilidade de dólares para financiamento, para providenciar recursos para o comércio", afirmou.
**COMO A L'ORÉAL ABOCANHOU A AESOP**
A L'Oréal venceu a concorrência da gigante do luxo LVMH, das empresas de cuidados com a pele Shiseido e Clarins e dos fundos Permira e Primavera para ficar com a Aesop, por US$ 2,53 bilhões (R$ 12,65 bilhões), em negócio anunciado no começo do mês.
A marca australiana de produtos premium para pele e cabelo pertencia à Natura, que no início das negociações queria manter uma parcela do negócio, mas foi convencida do contrário pelos executivos da L'Oréal, de acordo com o jornal New York Times.
As duas empresas já se conheciam desde que a Natura comprou a The Body Shop do grupo francês, em 2017.
AS ESTRATÉGIAS
Para a brasileira, o negócio foi uma forma de diminuir o tamanho da empresa e focar nas operações das outras marcas.
A L'Oréal, que é a líder mundial em vendas de cosméticos, aposta que poderá usar seu tamanho para turbinar sua mais nova compra e dobrar ou triplicar as vendas da marca em alguns anos.
A Aesop não é uma marca em decadência, longe disso.
Com crescimento anual de mais de 20%, analistas dizem que seu posicionamento na área de luxo com beleza limpa dois dos segmentos mais promissores e seu potencial de crescimento a tornam uma forte aquisição.
Fundado em 1909, o grupo francês tem um histórico de aquisição de marcas menores e fortes, aproveitando seu poder de marketing e distribuição para ampliá-las.
Em 2017, comprou a marca de cuidados com a pele CeraVe por US$ 1,3 bilhão e a transformou em um fenômeno entre os consumidores mais jovens por meio de um marketing inteligente nas redes sociais.
**DÊ UMA PAUSA**
- Para assistir: "Tetris" - no Apple TV+
O filme conta a história da briga pelos direitos de distribuição do popular jogo "Tetris", que tem como contexto a Guerra Fria e a crise do comunismo.
ENTENDA
Tudo começa quando o desenvolvedor de jogos holandês Henk Rogers vê o jogo em uma feira, percebe que aquilo era algo fora do comum e vai atrás de seu criador.
Ele é o engenheiro de software Alexey Pajitnov, que tentava sair da União Soviética em meio à iminente queda do bloco, mas ainda trabalhava para uma empresa soviética.
A disputa pelos direitos de distribuição do jogo ainda envolve outros empresários, que haviam tido acesso ao jogo e o distribuído em outros países apesar de saberem que a produção não pertencia a eles.
Mas o holandês tinha uma carta na manga: sua conexão com o então presidente da Nintendo, Hiroshi Yamauchi, que o fez saber que o Game Boy estava prestes a ser lançado.
Rogers então vai até o país de Pajitnov para negociar diretamente com ele e o convence a disponibilizar o jogo no dispositivo portátil o problema é que ele não havia combinado com os russos.
Ainda sobre a história do "Tetris", a minissérie documental "Morte no Vale do Silício" chegou esta semana ao HBO Max e Discovery+.
Ela investiga as mortes brutais de Vladimir Pokhiko, que é considerado um cocriador do jogo ao lado de Pajitnov, sua mulher e seu filho.
**O QUE MAIS VOCÊ PRECISA SABER**
MERCADO
Não conheço Shein, conheço Amazon, onde compro livro todo dia, diz Haddad. Ministro afirma que isonomia nas condições de concorrência é o melhor que pode acontecer para o consumidor.
MERCADO
Mercedes-Benz vai suspender contratos de 1.200 trabalhadores a partir de maio. Metalúrgicos de São Bernardo aprovaram proposta da empresa nesta quinta-feira (13).
ENERGIA
Cresce o número de reclamações sobre instalação de painel solar. Segundo a Aneel, queixas sobre o problema só foram superadas pela falta de energia.
Musk compara usuários do Twitter a produtos e diz que bots foram subestimados. Em entrevista à BBC, bilionário defende gestão dos últimos seis meses e comenta moderação de conteúdo na plataforma.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Espanha e França vão investigar ChatGPT, que entra na mira da Europa. Investigações apuram possíveis violações de regras sobre proteção de dados; UE inicia grupo de trabalho sobre a tecnologia.

