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Lula diz que esperava que BC cortasse juros em 0,5 pp, mas que foi menos por causa da guerra

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou nesta quinta-feira, 19, que o Banco Central (BC) diminuiu em apenas 0,25 ponto porcentual (pp) a taxa Selic por conta da guerra no Oriente Médio. O presidente disse que esperava uma redução de 0,5 pp.

"Hoje é um dia que eu poderia estar mais feliz, mas estou triste. Eu esperava que o nosso Banco Central abaixasse os juros em pelo menos 0,5 pp e abaixou apenas 0,25 pp por causa da guerra. Essa guerra até no nosso Banco Central? Não é possível", disse o presidente.

Lula afirmou que a guerra instaurou uma crise no petróleo e que o governo federal não vai permitir que ela traga um prejuízo para os brasileiros, tanto no preço dos combustíveis quanto dos alimentos.

Mesmo com a isenção do PIS e do Cofins e a subvenção de R$ 0,64/litro do diesel, Lula disse que as cifras subiram por conta de "bandidos" que querem ganhar dinheiro com os efeitos do conflito geopolítico.

"Não aumentou apenas o preço do diesel. Aumentou o preço do álcool que não tem nada a ver com a guerra do Irã, aumentou a preço da gasolina que ainda não tinha o porquê aumentar. Significa que, nesse País, tem bandido que quer ganhar dinheiro com o enterro da mãe, até com a fome dos pobres e até com a miséria dos outros", declarou Lula, que destacou ainda que a Polícia Federal (PF) recebeu ordens de reprimir empresas que estão escalonando os valores dos combustíveis de forma abusiva.

O presidente também fez um pedido para que os governadores aceitem a isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para ajudar na retenção dos efeitos da guerra. "Eles poderiam fazer para não permitir o aumento. O governo federal se dispõe a devolver para eles metade", declarou.

Ele disse ainda que o governo irá promover o que tiver ao alcance para impedir que empresários utilizem a guerra no Oriente Médio para "sacanear".

Lula afirmou ainda que o Brasil foi "pego de surpresa com a guerra no Oriente Médio. Ele disse não concordar com o regime teocrático do Irã, mas que é preciso respeitar a autodeterminação dos povos.

Ele ainda disse que os Estados Unidos se acham "dono do mundo" e pretendem conquistar territórios como a Groenlândia e Cuba.

O presidente também relembrou que, em 2010, os Estados Unidos e a União Europeia não aceitaram um acordo do Brasil com o Irã sobre enriquecimento de urânio para fins científicos. "Há uns três ou quatro anos, os americanos e os europeus fizeram um acordo pior que o que nós fizemos", disse.

As declarações de Lula foram feitas em participação nesta quinta da Caravana Federativa em São Paulo, que reúne prefeitos e vereadores em uma feira de serviços e inovações do governo do Brasil, como nas áreas de planejamento e meio ambiente. Mais de 30 ministérios e autarquias federais possuem estandes no local.

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