Início Economia Meirelles afirma que governo vai rever para cima projeção de crescimento da economia em 2017
Economia

Meirelles afirma que governo vai rever para cima projeção de crescimento da economia em 2017

RIO - O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou nesta quarta-feira que os dados mais recentes sobre a atividade econômica estão “muito fortes” e que isso deve levar o governo a aumentar sua previsão para o PIB este ano (hoje em 0,5%). De acordo com Meirelles, o governo espera que, no último trimestre, a economia brasileira esteja crescendo mais que 2% na comparação com o mesmo período de 2016. No segundo trimestre, como divulgou o IBGE na última sexta-feira, o PIB cresceu 0,2% ante os três primeiros meses do ano.

— Os números estão muito fortes e muito positivos. Estamos analisando isso com seriedade. Nossa previsão é de 0,5%. Mas esse é um número com viés de alta. Deveremos estar revisando esse número para frente. A previsão é que o crescimento do final do ano, comparado com o último trimestre do ano passado, vai ser um crescimento forte. Um crescimento acima de 2%. E, mais importante, o ritmo de crescimento no fim do ano deve estar acima de 3% — afirmou, em conversa com jornalistas após a cerimônia de posse do novo presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), no Centro do Rio.

LEIA MAIS:

De acordo com o ministro, é "natural" que esse crescimento seja alavancado pelo consumo das famílias:

— Quando a economia começa a crescer, saindo de uma recessão, existe muita capacidade ociosa nas empresas. Então o consumo tem que aumentar primeiro, para as empresas começarem a produzir e aí investirem para na produção e aumentar a produtividade.

Mas Meirelles observou que já há sinais claros de que "as empresas já estão de fato acreditando e investindo", embora o investimento tenha despencado 6,5% no segundo trimestre. Segundo ele, o número foi prejudicado pelo desempenho da construção civil mas o investimento em máquinas e equipamentos está crescendo.

— Apesar de o número de investimento aparentemente ter caído, ele caiu na construção civil. Isso é normal, porque existe um grande número de imóveis à venda em função da recessão. Agora, o investimento em máquinas e equipamentos cresceu muito. Isso significa que as empresas já estão de fato acreditando e investindo no incremento da produção futura — disse.

Perguntado sobre a notícia, publicada pelo jornal "Valor Econômico", de que o governo estaria estudando acabar com a figura das "golden shares" - ações detidas pelo Estado que garantem direitos especiais nas decisões sobre as empresas -, Meirelles afirmou que se trata apenas de uma consulta ao Tribunal de Contas da União (TCU) e que o governo não pretende aplicar essa hipótese em nenhum caso específico, como na Eletrobras.

— Isso, onde está funcionando bem, não tem que alterar. Em alguns casos específicos, quando se visa uma maior privatização ou uma oferta pública de ações, muitas vezes se analisa a possibilidade ou a conveniência de se eliminar alguns poderes da golden share. Antes de mais nada, nosso objetivo principal é ter uma estrita obediência regulatória e da lei. Então, antes de considerar qualquer uma hipótese nesse sentido para alguma empresa venha a considerar um lançamento público de ações ou algo nesse sentido, nós queremos saber o que é que acha a autoridade regulatória que, no caso, é o TCU - afirmou. - Simplesmente foi feita uma consulta ao TCU sobre se essa hipótese está correta ou não, positiva ou não para o país, o mercado e o governo.

Ele não detalhou como isso seria feito, mas mencionou que as golden shares podem ser importantes para a precificação de ofertas primárias de ação:

— Muitas vezes vai se fazer um lançamento primário no mercado e que vai haver um aumento da participação dos minoritários. Muitas vezes, a golden share pode ser uma influência grande na precificação desse lançamento.

Sobre a informação de que o governo estaria exigindo a devolução de R$ 130 bilhões pelo BNDES para o Tesouro, Meirelles afirmou que as duas partes estão ainda em negociação e que o valor ainda não foi determinado:

— O banco tem excesso de caixa, e no passado fez (uma devolução) de R$ 100 bilhões, o que é muito importante. Isso porque não tem sentido o governo estar pagando taxas de juros de mercado e emprestando esse dinheiro para o BNDES a taxas de juros menores quando o BNDES não tem demanda para isso no momento e aplica esses recursos no mercado financeiro. Não há justificativa técnica para isso. Portante, estamos conversando de forma amigável e transparente para ver até que ponto existe essa possibilidade de chegar ao número que mencionamos. Pode ser menor, pode ser maior. Mas não temos um número. Mas tudo será feito dentro das possibilidades do banco.

Meirelles negou rumores de que planejaria se candidatar nas próximas eleições. Ele afirmou que não "considera nenhuma possibilidade (disso) agora".

— Eu não considero nenhuma possibilidade agora a não ser foco total na economia brasileira. Eu sou candidato a ajudar o Brasil voltar a crescer, como ministro da Fazenda — desconversou.

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?