O ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, ao defender maior responsabilidade fiscal por parte do governo, disse que a taxa de juro se encontra na altura em que está para controlar a inflação que os gastos públicos impõem à economia. "Nós temos uma Selic alta sim, mas há momentos em que os juros têm que ser altos, à medida que, por exemplo, em que a dívida pública está crescendo, o governo está inventando mais recursos econômicos e gerando inflação. E o Banco Central, para controlar isso, tem que botar o juro mais alto", disse Meirelles acrescentando que enquanto o BC rema para um lado o governo rema para outro lado.
Para o ex-ministro, que participa do Nomad Globak Invest Day, evento que conta com o apoio do Estadão , a dívida pública hoje se aproxima de 79% do PIB e não há nada no cenário que sinaliza, a curto prazo, uma mudança de tendência. "Então nós estamos vivendo uma situação onde, de um lado, o governo rema para uma expansão fiscal, expansionista, e a política monetária está tentando controlar a atividade da inflação", reiterou.
Meirelles também defendeu durante o evento a necessidade de o Brasil fazer a reforma administrativa porque o custo do Estado brasileiro é muito grande. "No ano passado, por exemplo, foram gastos só com pessoal R$ 408 bilhões apenas com o pessoal, é muito. Temos um problema com o que chamamos de super salário, caso de poucas categorias, com maior poder de barganha, que recebe salários acima do teto", disse.
Durante o evento, Meirelles defendeu que o crescimento sustentando da economia brasileira no longo prazo depende de reformas estruturais sobre os gastos público, o que ajudará o País a também atrair investimentos. Apesar dos desafios, o ex-ministro considerou, no entanto, que o País ainda oferece muitas oportunidades a investidores após resolver muitos problemas do passado, como a dívida externa.
Sobre a reforma tributária, Meirelles disse que ela permitirá uma grande simplificação do sistema atual, o que deve levar a ganhos de produtividade, um dos grandes entraves da economia.
"Muitos problemas já foram resolvidos, o caminho foi traçado e as reformas podem levar a crescimento sustentado e atrair investimentos", frisou Meirelles.

