O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) informou que o agendamento de uma reunião para discutir a suspensão dos descontos salariais dos servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) depende de manifestação da direção do próprio instituto.
Em ofício enviado na quarta-feira, 4, em resposta a uma solicitação do Sindicato Nacional dos Trabalhadores do IBGE (ASSIBGE), o ministério afirma que a definição sobre a realização do encontro e a indicação de uma data dependem de uma posição do IBGE, por ser parte interessada na questão. O documento solicita ainda que o instituto confirme sua disponibilidade para o agendamento.
Segundo os sindicalistas, a direção do IBGE ainda não respondeu ao pedido. O sindicato considera que a demora agrava o conflito com a categoria e aprofunda o cenário de tensão na instituição.
O impasse ocorre após o presidente do IBGE, Marcio Pochmann, determinar o desconto integral, em parcela única, dos dias de greve de agosto e setembro nos salários de outubro dos servidores. A medida atingiu funcionários de diferentes estados e, segundo apuração do Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), deixou dezenas deles com o salário de outubro zerado.
O episódio amplia o desgaste na relação entre Pochmann e o corpo técnico, em meio a uma crise interna que envolve mudanças administrativas e reivindicações sindicais.
A categoria pede a abertura de um canal de diálogo e afirma ter enviado, há mais de um mês, uma proposta de termo de acordo para formalizar os entendimentos e construir uma saída negociada para o conflito com a presidência do órgão.
O sindicato acusa o IBGE de apresentar sucessivamente novas exigências e prolongar as tratativas. Por isso, defende a realização de uma reunião tripartite, com representantes da entidade sindical, do MGI e da direção do instituto.
Em nota divulgada na quarta-feira, o IBGE afirmou que agiu em conformidade com as normas e orientações aplicáveis à administração pública federal ao determinar o desconto integral e em parcela única dos dias de greve. O MGI não respondeu ao pedido de esclarecimentos da reportagem.
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