A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, afirmou, em postagem no blog da instituição nesta segunda-feira, 15, que a economia global resiste ao choque da guerra do Oriente Médio e parece estar "se mantendo", por enquanto, mas ponderou que a economia resiliente oculta as diferenças "significativas" entre países e regiões.
Para Georgieva, o atual quadro esconde disparidades importantes e, mesmo entre as economias avançadas, alguns países e comunidades foram mais duramente atingidos. Segundo ela, importadores de energia e países com espaço limitado para políticas públicas são os mais vulneráveis nessa situação e, na África, os impactos negativos são mais evidentes.
"Enquanto isso, com o fechamento prolongado do Estreito de Ormuz e a infraestrutura no Oriente Médio danificada pelos combates, a incerteza e os riscos continuam elevados", disse ela.
Em relação ao panorama geral, a diretora-gerente ressaltou que os preços das commodities, a inflação e as expectativas em relação a ela, bem como as condições financeiras, foram impactados - mas ainda não de maneiras que sinalizem uma desaceleração global.
Segundo ela, os preços mais altos do petróleo contribuem para uma aceleração da inflação cheia - o que ela considera "preocupante", ainda que as expectativas de médio prazo permaneçam "bem ancoradas". "Temos observado um forte impulso econômico nas duas maiores economias do mundo: Estados Unidos e China", acrescentou.
Georgieva explica que Pequim tem conseguido amortecer o choque de energia recorrendo a suas volumosas reservas de petróleo.
A chefe do FMI repercutiu o acordo provisório entre os EUA e o Irã e disse que o pacto "é bem-vindo", considerando que as consequências econômicas da guerra dependem da duração e da intensidade do choque no fornecimento de energia. "Caso o conflito ou as interrupções se intensifiquem, isso representa um risco claro para o crescimento global", disse.
Para ela, o fornecimento de energia levará tempo para se recuperar devido aos significativos danos à infraestrutura.
Diante do cenário ainda incerto, Georgieva ponderou que o fato de a economia global estar, até agora, resistindo ao choque é motivo de tranquilidade, mas não de complacência. "O FMI permanece em alerta máximo. Também estamos profundamente cientes dos danos econômicos que alguns de nossos membros já estão sofrendo. Trabalharemos com eles para gerenciar o choque e limitar seus impactos negativos", concluiu.



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