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No mercado de juros, DIs caem acompanhando curva dos Treasuries após payroll fraco

Estadão

Os juros futuros seguiram em queda no período da tarde desta sexta-feira, ainda espelhando o movimento da curva dos Treasuries após o payroll mostrar que a economia norte-americana fechou 23 mil postos de trabalho em julho, indo na direção contrária à estimativa de criação de 80 mil vagas. Com o dado, o mercado passou a ver maior chance de manutenção da taxa de Fed Funds na reunião de setembro, em vez de alta, enquanto no Brasil a expectativa majoritária segue sendo de corte de 0,25 ponto porcentual na taxa Selic.

O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2027 caiu para 13,745%, contra 13,764% do ajuste de quinta-feira. O DI para janeiro de 2029 cedeu a 14,035%, de 14,108%. A taxa do DI para janeiro de 2031 fechou em 14,275%, de 14,322%.

O head de renda fixa da Ville Capital, León Santiago Lucas, avalia que um payroll fraco funciona como vetor dovish que tira prêmio da ponta longa americana e, por arbitragem e diferencial, alivia a curva brasileira.

Após a divulgação do payroll, a chance estimada de um aumento de 25 pontos-base (pb) nos juros americanos em setembro era de 46,3%, em comparação com os 54,7% antes do dado, segundo ferramenta do CME Group.

Com isso, a expectativa de elevação de juros pelo BC americano migrou para outubro, mas os dados apontam um mercado dividido: a probabilidade de aperto monetário baixou de 67,8% para 58,3%, enquanto a de manutenção de juros subiu de 32,2% para 41,7%. Para o horizonte até dezembro, as apostas de alguma alta de juros diminuíram de 81,9% para 75,5%.

"O payroll hoje ajuda bastante, porque reduz uma pressão externa sobre os juros brasileiro", afirma o analista Gustavo Danilo, da Manchester Investimentos.

Ele pondera, contudo, que os vértices mais longos dos DIs ainda carregam um prêmio relevante, ligado principalmente à incerteza doméstica quanto à trajetória fiscal.

Na precificação da curva brasileira, o mercado passou a ver chance majoritária de corte de 0,25 ponto na Selic em setembro depois da reunião do Copom de quarta-feira, mas estabilidade de setembro em diante e embute uma Selic terminal em torno de 13,75%, aponta Lucas, da Ville Capital. A mediana do relatório Focus também projeta os juros básicos em 13,75%.

Como pano de fundo, nesta sexta, o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) registrou queda de 0,86% em julho, em recuo menos intenso do que a mediana negativa de 0,98% do Projeções Broadcast.

Para o head de renda fixa da Ville Capital, "a deflação reforça, na margem, o quadro deflacionário do atacado, mas por conta do payroll o efeito é 'desprezível' na curva de juros brasileira".

Já o petróleo apresentou sessão volátil nesta sexta-feira, por fim com Brent em alta de 1,29%, a US$ 83,55 por barril à medida que as negociações entre estados Unidos e Irã perderam o ritmo na reta final da semana. Ainda assim, o acumulado de segunda-feira para cá foi de preço 4,98% menor, aliviando os temores inflacionários de energia mundial.

Na próxima semana, destaque para a ata do Copom e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho, ambos na terça-feira, em que o mercado buscará pistas sobre a política monetária. O Projeções Broadcast mostra estimativa mediana de que a inflação desacelere para 0,03%, após alta de 0,16% em junho.

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