Por Leika Kihara
TÓQUIO, 1 Abr (Reuters) - O Japão pode enfrentar riscos de estagflação decorrentes da guerra do Irã que seriam um desafio de abordar com a política monetária, disse o novo membro da diretoria do Banco do Japão, Toichiro Asada, nesta quarta-feira.
Uma combinação de ferramentas de políticas fiscal e monetária poderia ajudar o Japão a superar os desafios econômicos, disse Asada, embora ele tenha se recusado a explicar se o banco central deve continuar a aumentar a taxa de juros.
O aumento dos preços do petróleo bruto devido ao conflito no Oriente Médio está aumentando as pressões inflacionárias, mas o aumento dos juros para lidar com o problema pode prejudicar a produção das fábricas e os empregos, disse ele.
"O Japão pode estar em uma tendência de estagflação", disse Asada em sua primeira coletiva de imprensa após ingressar na diretoria de nove membros na quarta-feira. "É difícil lidar com essa situação por meio da política monetária."
Escolhido a dedo pela primeira-ministra, Sanae Takaichi, para suceder Asahi Noguchi, o acadêmico de 71 anos é conhecido como um defensor de políticas fiscais e monetárias expansionistas.
Asada repetiu seus elogios à "Abenomics", uma combinação de medidas substanciais de estímulo monetário e fiscal implementadas em 2013 para tirar o Japão de um período prolongado de deflação e estagnação econômica.
Mas ele disse que o Japão enfrenta hoje uma situação diferente daquela em que a Abenomics foi implantada pela primeira vez.
"Naquela época, o Japão estava sofrendo deflação, de modo que o banco central podia se concentrar sozinho em manter a política monetária frouxa", disse ele. "Ele não pode mais fazer isso, pois o Japão agora enfrenta inflação."
Ainda assim, Asada disse que não se importa de ser rotulado como reflacionista, o que ele definiu como alguém que defende a adoção de medidas para causar inflação em um esforço para tirar uma economia da estagnação prolongada.
Asada está se juntando a uma diretoria conselho que se posicionou a favor de aumentos constantes dos juros. Além disso, a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã aumentou as pressões inflacionárias decorrentes de anos de ganhos salariais e aumentos de preços constantes.
Em 2024, o Banco do Japão encerrou um programa de estímulo de uma década que fazia parte do Abenomics. Mais recentemente, aumentou os juros várias vezes, inclusive em dezembro, quando aumentou a taxa de curto prazo para 0,75%, o maior valor em 30 anos.
(Reportagem de Leika Kihara)
(((Tradução Redação São Paulo)) REUTERS CMO)


