SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar iniciava a semana em queda frente ao real, em segunda-feira (17) marcada por fraqueza da moeda norte-americana no exterior em meio a pausa num movimento global de fuga para a segurança, enquanto, na cena local, investidores digeriam o debate presidencial da véspera, a pouco menos de duas semanas do segundo turno das eleições.
Às 9h10 (de Brasília), o dólar à vista recuava 0,67%, a R$ 5,2878 na venda.
Na B3, às 9h10 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,70%, a R$ 5,3035.
Na última sexta-feira (14), o Ibovespa recuou 1,95%, aos 112.072 pontos. Isso levou o índice de referência da Bolsa de Valores brasileira a uma queda semanal de 3,70%. É o maior recuo em uma semana desde meados de julho.
O resultado apagou parte dos ganhos de 5,76% da semana anterior, quando o mercado demonstrou euforia com a votação acima do previsto pelas pesquisas recebida por Jair Bolsonaro (PL), colocando o atual presidente na disputa do segundo turno com o ex-presidente Lula (PT).
No mercado de câmbio, o dólar comercial à vista subiu 1% nesta sexta, cotado a R$ 5,3270. A taxa de câmbio acumulou uma alta semanal de 2,17%.
Os mercados de ações e de câmbio do país refletiram preocupações de investidores sobre a corrida eleitoral no Brasil e também quanto ao ambiente internacional de juros potencialmente mais altos após a inflação nos Estados Unidos ter mostrado mais força do que projetavam os economistas.
O índice de preços ao consumidor ficou em 8,2% de alta em 12 meses, depois de ter subido 8,3% em agosto e atingido um pico de 9,1% em junho, que foi o maior avanço desde novembro de 1981.
As atenções de investidores se voltaram, porém, para o núcleo da inflação, que exclui os preços voláteis, como energia e alimentos.
Esse indicador ganhou 6,6% em setembro, em relação ao ano anterior, marcando o maior aumento desde agosto de 1982.
É especificamente esse dado sobre o núcleo que diz aos analistas que a inflação está mais resistente do que se imaginava anteriormente e, por esse motivo, o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) deverá manter o crédito mais caro por mais tempo. O resultado desse aperto monetário tende a ser um prejuízo prolongado ao crescimento da economia mundial.
Em setembro, o Fed elevou sua taxa de juros em 0,75 ponto percentual pela terceira vez seguida. A divulgação na quarta-feira (12) da ata dessa reunião do Fomc, o comitê de mercado aberto do Fed, confirmou que o banco central americano tende a manter o ritmo do aperto.
Projeções do Fomc divulgadas com a ata mostram que a taxa básica de juros, atualmente na faixa de 3% a 3,25%, subirá para a faixa de 4,25% a 4,50% até o final deste ano.
No exterior, os principais indicadores do mercado americano penderam para o negativo. Na Bolsa de Nova York, o índice S&P 500 caiu 2,37% e, com isso, teve um recuo semanal de 1,55%.
Balanços trimestrais de grandes bancos contribuíam com o pessimismo ao darem mais sinais de que o mercado americano se prepara para uma recessão.
Na Europa, a Bolsa de Londres fechou a semana em queda de 1,89%, revelando uma reação tímida do mercado a algumas decisões da primeira-ministra Liz Truss sobre a economia do Reino Unido.
Ela demitiu seu ministro das Finanças, Kwasi Kwarteng, e anunciou a eliminação de partes de um pacote econômico que vinha levantando desconfiança sobre a política fiscal britânica.
A crise provocada pelo plano do ex-ministro Kwarteng trouxe forte desvalorização dos títulos da dívida do país. Kwarteng foi substituído pelo ex-ministro de Relações Exteriores e Saúde Jeremy Hunt.

