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Otaviano Canuto: Classificação de PCC e CVV como terroristas já tem implicações para empresas

Estadão

O economista Otaviano Canuto disse nesta quinta-feira, 18, que a designação do PCC e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas nos Estados Unidos já tem implicações econômicas e financeiras para as empresas com negócios nos dois países. As empresas, observou, estão reforçando estruturas de compliance porque não querem correr o risco de enfrentar processos por transações com esses grupos.

"Na prática, já está ocorrendo uma corrida das empresas de reforço no compliance, dado o risco de serem classificadas como empresas que fizeram transações com organizações consideradas terroristas ... O nosso sistema financeiro, os bancos e as empresas que operam nos dois países não querem, de maneira nenhuma, serem classificados em tais condições", comentou Canuto.

O economista, que já foi vice-presidente e diretor executivo no Banco Mundial, disse temer que as negociações em torno das tarifas anunciadas contra produtos brasileiros sejam contaminadas pela política antiterror de Washington.

"Por enquanto, as duas agendas não estão ligadas. Espero que não haja uma conexão, mas este é um ponto a prestar atenção", declarou Canuto, durante webinar promovido pelo Brazil-Florida Business Council (BFBC).

No mesmo evento, Bruna Santos, que é especialista em políticas públicas e relações internacionais, afirmou que empresários desconfiam das motivações por trás das medidas americanas desde as sobretaxas comerciais anunciadas no ano passado em retaliação ao processo da trama golpista contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado do presidente dos EUA, Donald Trump.

Ainda que a agência responsável pela política de comércio americana (USTR, na sigla em inglês) seja conhecida pela atuação técnica e não ideológica, Bruna salientou que os argumentos colocados por setores econômicos do Brasil nas investigações da seção 301 não foram considerados no relatório que indicou uma taxação extra de 25% sobre os produtos brasileiros.

"Então, existe a sensação de motivação política por trás", disse Bruna, que atualmente dirige o Programa Brasil no Inter-American Dialogue, um think tank voltado a assuntos latino-americanos em Washington.

Nesse sentido, ela acrescentou que a classificação de PCC e CV como organizações terroristas foi acelerada por motivação política. A medida foi anunciada pelo governo americano após reunião de Trump com o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato da oposição na corrida ao Palácio do Planalto.

"Você tem diferentes núcleos com diferentes interesses, operando em chaves diferentes e com tempos diferentes no governo americano. Mas muitas vezes, houve motivos para se levantar essas hipóteses", pontuou Bruna. "O meu principal temor é de, realmente, a motivação política acelerar coisas que estavam num outro tempo da burocracia", acrescentou.

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