O ouro fechou em queda expressiva de quase 4% nesta segunda-feira, 23, ainda que se afastasse das mínimas intraday, em meio aos desdobramentos da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. Informações conflitantes sobre negociações EUA-Irã derrubaram os preços do petróleo, o que alimentou o apetite ao risco dos investidores.
Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), o ouro para abril encerrou em baixa de 3,66%, a US$ 4.407,3 por onça-troy.
Já a prata para maio teve queda de 0,46%, a US$ 69,04 por onça-troy.
O ouro chegou a cair para a faixa de US$ 4.100 por onça-troy pela manhã, em movimento inverso à alta no petróleo e os riscos globais relacionados com o aumento da inflação e taxa de juros. O metal precioso ganhou um alívio conforme o petróleo passou a despencar, o que também direcionou o dólar americano e os juros dos Treasuries.
Analistas do Swissquote alertam que o ouro caiu para sua média móvel de 200 dias pela primeira vez desde o segundo semestre do ano passado. "A queda pode se intensificar se o dólar continuar se fortalecendo e os juros dos Treasuries permanecerem elevados, aumentando o custo de oportunidade de manter ativos que não geram rendimento", explicam.
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse hoje que há uma "boa chance" de acordo com o Irã, após prorrogar por cinco dias um prazo estipulado por ele mesmo para iniciar ataques à infraestrutura energética do país persa. Segundo ele, o acordo envolveria o fim da capacidade de Teerã em ter armas nucleares, o que a imprensa estatal do Irã nega. As declarações derrubaram o preço do petróleo Brent quase 10% e deram algum otimismo aos mercados.
Para analistas da TD Securities, a perspectiva de longo prazo do ouro ainda parece saudável, mas o médio prazo continua desafiador ante o conflito. "A queda recente do ouro já parece extrema, porém o cenário de curto prazo ainda permanece vulnerável, especialmente antes da próxima decisão da Suprema Corte sobre o caso de Lisa Cook. Uma forte queda ao longo da próxima semana pode levar os traders a liquidarem completamente suas posições compradas restantes em ouro, resultando em uma posição zerada pela primeira vez em mais de dois anos".

