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Paulo Alberto Lemann e Beto Sicupira são alvos de operação da PF por suposta fraude contábil de R$54 bi na Americanas

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Paulo Alberto Lemann e Beto Sicupira são alvos de operação da PF por suposta fraude contábil de R$54 bi na Americanas
Paulo Alberto Lemann e Beto Sicupira são alvos de operação da PF por suposta fraude contábil de R$54 bi na Americanas

(Texto atualizado com nota dos acionistas de referência da Americanas e posicionamentos dos bancos)

Por Ricardo Brito e Rodrigo Viga Gaier

BRASÍLIA/RIO DE JANEIRO, 25 Jun (Reuters) - Os empresários Paulo Alberto Lemann e Carlos Alberto Sicupira foram alvo nesta quinta-feira de mandados de busca e apreensão realizados pela Polícia Federal no âmbito de operação que investiga uma suposta fraude contábil da ordem de R$54 bilhões na varejista Americanas, disseram duas fontes com conhecimento direto do caso.

Em nota, sem citar nominalmente alvos da operação, a PF disse que cumpriu mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo, incluindo buscas pessoais, e que a Justiça Federal do Rio de Janeiro determinou o sequestro de bens e valores em nome dos investigados até o limite de R$54 bilhões.

Duas fontes da PF com conhecimento direto da operação disseram que Lemann e Sicupira estão entre os alvos. Uma das fontes acrescentou que executivos atuais ou com passagem pelos bancos Santander Brasil, Bradesco e Itaú Unibanco também sofreram buscas no âmbito da operação.

"Segundo as investigações, os suspeitos teriam conhecimento de supostas fraudes contábeis praticadas ao longo de anos, relacionadas a operações de risco sacado e a contratos de verba de propaganda cooperada (VPC) supostamente contabilizados sem lastro econômico", disse a PF no comunicado.

"As apurações apontam indícios, em tese, dos crimes de manipulação de mercado e de associação criminosa", acrescentou.

Paulo Alberto Lemann é filho de Jorge Paulo Lemann, cuja família figura entre uma das mais ricas do Brasil, segundo a lista divulgada pela revista Forbes.

Jorge Paulo Lemann e Sicupira, ao lado de Marcel Telles, são os acionistas de referência da Americanas, que está atualmente em recuperação judicial. Paulo Alberto Lemann fez parte do conselho de administração da varejista, mas deixou a empresa em 2024 em meio a uma reestruturação após a recuperação judicial da companhia.

Em nota à imprensa, os acionistas de referência da Americanas disseram que foram surpreendidos com a operação da PF e que as investigações indicam que eles foram "continuamente enganados e induzidos a erro pela antiga diretoria da companhia".

"Os acionistas de referência entendem que a operação integra o curso regular das apurações em andamento e reiteram seu compromisso de colaborar plenamente com as autoridades competentes para o esclarecimento dos fatos, como vêm fazendo desde 11 de janeiro de 2023, quando tiveram conhecimento das fraudes contábeis", afirmaram.

"Até o momento, as defesas não tiveram acesso à íntegra da decisão judicial que fundamentou a medida, razão pela qual aguardam mais informações para eventual manifestação complementar", ressaltaram.

O Itaú Unibanco afirmou em nota que, embora não seja investigado, colabora ativamente com as autoridades, prestando todas as informações sobre o caso Americanas. "O banco, que sofreu perdas bilionárias com o episódio, já comprovou a lisura de sua conduta e da atuação de seus funcionários por meio de documentos apresentados à Justiça. Os registros deixam claro, por exemplo, que o Itaú recusou pedidos da antiga gestão da Americanas para alterar cartas de circularização de balanços", afirmou.

O Santander disse que "está ao lado das partes prejudicadas na apuração das fraudes envolvendo a Americanas e segue colaborando com as autoridades competentes, como tem feito desde o início das apurações. A instituição reitera seu compromisso com a ética, a transparência e o estrito cumprimento da regulamentação em suas operações".

O Bradesco afirmou que acompanha a situação e está à disposição das autoridades.

Em nota, a Americanas disse não ter sido alvo da operação desta quinta e afirmou ser a maior interessada no esclarecimento dos fatos. "A companhia seguirá colaborando com as investigações e é a maior interessada no esclarecimento dos fatos", afirmou.

A ação desta quinta é a segunda etapa da Operação Disclosure, cuja primeira fase ocorreu em junho de 2024, após a revelação da fraude contábil que levou a Americanas à recuperação judicial, e permitiu um aprofundamento das linhas de investigação iniciais.

Segundo as apurações, conforme uma fonte da PF, os fatos teriam ocorrido ao longo de vários anos e envolveriam supostas manipulações contábeis destinadas a ocultar a real situação econômico-financeira da empresa. As medidas cautelares têm por objetivo aprofundar a coleta de provas, individualizar as responsabilidades e preservar a possibilidade de reparação de eventuais prejuízos decorrentes dos fatos investigados, afirmou.

(Reportagem adicional de Paula Arend Laier e Luciana Magalhães, em São PauloEdição de Eduardo Simões, Tatiana Ramil e Pedro Fonseca)

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