A queda dos preços do petróleo para abaixo dos US$ 90 por barril, motivada por expectativas de avanços diplomáticos para encerrar o conflito entre Estados Unidos e Irã e reabrir o Estreito de Ormuz, traz alívio aos mercados domésticos nesta terça-feira, 25, mas ao mesmo tempo limita o desempenho do Ibovespa. O índice chega ao final da manhã perto da estabilidade, prejudicado pelas perdas das ações da Petrobras, porém com mais da metade dos demais componentes em alta.
Por volta das 11h50, o Ibovespa caía 0,06%, a 171.804 pontos. As ações da Petrobras recuavam (PETR3 -2,45%; PETR4 -1,97%) e subtraíam 0,27 ponto porcentual da variação do índice. Vale fazia o contraponto (VALE3 +0,60%), somando 0,07 ponto porcentual.
Segundo Eduardo Gonçalves, gestor de portfólio da Aurum Wealth Management, a queda nos preços do petróleo traz perspectiva de inflação menor, o que favorece os mercados de ações globais, mas a Bolsa no Brasil está de fora deste movimento, dado o peso das ações de petrolíferas no índice.
Além disso, ressalta, o cenário ainda é "muito sensível". "Apesar da melhora no exterior, ainda há o risco fiscal muito grande por aqui, e as eleições começam a fazer preço".
Nicolas Gass, chefe de alocação de investimentos e sócio da GT Capital, considera que o quadro eleitoral será o elemento de maior influência tanto sobre os preços quanto sobre o fluxo de capital estrangeiro.
"O cenário que vemos agora nas pesquisas é de manutenção do governo e das políticas públicas atuais, a maioria delas de transferência de renda e que pressionam a conta fiscal. Isso pode deixar a Selic alta por mais tempo, com inflação pressionada. Se ficar do jeito que está, o fluxo deve continuar negativo, principalmente pera blue chips", avalia.
Gass, porém, diz que a GT Capital está compradora em Bolsa.
A agenda de indicadores hoje está esvaziada. O governo havia anunciado a divulgação de dados sobre a arrecadação de julho, mas cancelou a publicação dos números.



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