A Sabesp reportou lucro líquido ajustado de R$ 1,150 bilhão no segundo trimestre de 2026, queda de 41,2% em relação a igual intervalo de 2025. No acumulado do ano até junho, o lucro líquido reportado atingiu R$ 3,213 bilhões, redução de 11,2% na comparação anual.
O resultado é explicado por uma base de comparação desfavorável no mesmo período do ano passado, inflada por cerca de R$ 200 milhões em reversões de provisões e vitórias judiciais. Além disso, o balanço foi pressionado pelo avanço de 24,5% nos custos e despesas operacionais, impulsionado por investimentos na modernização do atendimento ao cliente e pela inflação sobre insumos químicos de tratamento, somado ao aumento das despesas financeiras decorrente do maior endividamento da companhia.
O Ebitda ajustado caiu 3,2% entre abril e junho na comparação anual, para R$ 3,503 bilhões. No acumulado do ano até junho, o Ebitda reportado somou R$ 7,987 bilhões, avanço de 9,2% frente ao mesmo período do ano anterior.
Já a receita líquida ajustada avançou 6,7% no trimestre, para R$ 6,013 bilhões. No acumulado dos primeiros seis meses do ano, a receita líquida de serviços de saneamento totalizou R$ 12,924 bilhões, alta de 10,3%. O desempenho no trimestre refletiu alta de 8,7% no preço líquido, diante do reajuste tarifário, além do ganho de 1,0% com novas ligações (economias). Esse avanço foi parcialmente compensado pelo impacto de temperaturas mais amenas e pela alteração no mix de clientes, decorrente da expansão do acesso às tarifas sociais de baixa renda.
Investimentos
No segundo trimestre de 2026, a Sabesp destinou R$ 3,73 bilhões em investimentos para a aceleração da universalização dos serviços de saneamento básico, o que representa um crescimento de 3,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Do montante investido no trimestre, R$ 2,68 bilhões foram direcionados para expansão e melhorias nos sistemas de esgoto, alta anual de 4,8%, enquanto R$ 1,05 bilhão foi aplicado nas infraestruturas de água. Com esse resultado, os aportes da companhia somaram R$ 7,46 bilhões no primeiro semestre, elevação de 15,6%, mantendo a trajetória para atingir a meta de investir cerca de R$ 20 bilhões ao longo de todo o ano de 2026.
"Quando olhamos quanto a companhia investe hoje para atingir universalização, está com volume quatro vezes maior do que ela fazia e parte disso vem através de endividamento, e despesas financeiras e depreciação cresceram", disse o diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Sabesp, Daniel Szlak.
O resultado financeiro fechou o segundo trimestre em R$ 1,017 bilhão negativo contra R$ 118 milhões negativos um ano antes.
A Sabesp encerrou junho com dívida líquida de R$ 34,0 bilhões ante R$ 23,0 bilhões no mesmo período de 2025, custo médio de CDI + 0,15% e prazo médio ponderado de 6,1 anos. A alavancagem, medida pela relação dívida líquida/Ebitda, ficou em 2,5 vezes ao fim do período, ante 2,4 vezes no trimestre imediatamente anterior. Do total da dívida, 62% vence a partir de 2031, enquanto os R$ 17,441 bilhões em caixa e aplicações financeiras cobrem mais de quatro anos de amortização. O Retorno sobre Patrimônio Líquido (ROE, da sigla em inglês) permaneceu em 15,2%.



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