Quem trabalha com carteira assinada pode começar 2027 com um piso salarial de R$ 1.717, segundo projeção incluída no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) enviado pelo governo ao Congresso Nacional. O valor representa um acréscimo de R$ 96 sobre o mínimo atual, de R$ 1.621, o equivalente a um reajuste nominal de cerca de 5,9%. O número, porém, ainda está longe de ser oficial.
A estimativa foi construída a partir de um conjunto de indicadores que o Executivo usa como referência para o planejamento: inflação de 3,04%, crescimento real do PIB de 2,56%, câmbio médio de R$ 5,47 por dólar e taxa básica de juros em 10,55%. O texto começa a ser analisado pela Comissão Mista de Orçamento (CMO), presidida neste ano pelo deputado Domingos Neto (PSD-CE).
O calendário legislativo aperta nas próximas semanas. A proposta da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2027 deve chegar ao Congresso até 31 de agosto, mas antes disso os parlamentares ainda precisam concluir a análise da LDO — que, neste ano, tende a ser discutida praticamente em paralelo com a peça orçamentária. Enquanto a LDO define metas fiscais e prioridades de gasto, a LOA detalha quanto será destinado a cada programa e política pública.
O consultor de Orçamentos do Senado Bento Monteiro alerta que, quando a LDO não é aprovada antes do envio da LOA, o Executivo acaba montando a proposta orçamentária com base nas próprias regras que sugeriu — o que pode dificultar exigências como a separação de determinadas despesas em classificações específicas. Para o trabalhador, a mensagem prática é de cautela: o valor final depende da atualização dos indicadores econômicos e da aprovação das peças orçamentárias, de modo que os R$ 1.717 ainda não podem ser tratados como o piso definitivo. O mínimo também serve de referência para benefícios previdenciários e assistenciais, o que amplia o alcance da decisão.



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