A Seatrium, multinacional de engenharia naval que vem ampliando sua atuação global na área de eólica offshore, vê o Brasil como um mercado a ser desenvolvido e espera poder endereçar sua infraestrutura local para a fabricação de subestações e embarcações dedicadas ao segmento. A companhia, no entanto, condiciona qualquer planejamento ao amadurecimento do marco legal. A empresa assumiu um assento no conselho diretor da Coalizão Eólica Marinha (CEM) para atuar de maneira mais próxima na busca pela regulamentação do setor.
Segundo o vice-presidente comercial da Seatrium, Bruno Búrigo, os estaleiros da empresa em Aracruz (ES) e Angra dos Reis (RJ) têm condições técnicas para atender a eventuais iniciativas no Brasil.
"Acho que é um mercado que vai acontecer no longo prazo e, com a capacidade que temos, conseguimos atender projetos de petróleo, gás e eólica, com certeza", diz. "Os projetos de energia em alto-mar possibilitam continuidade para a indústria naval e protegem as empresas da alta ciclicidade do mercado de petróleo", complementa.
O avanço prático, no entanto, depende das definições regulatórias. Mesmo com a Lei das Eólicas Offshore (nº 15.097/2025), o decreto para regulamentá-la. Previsto para maio, ainda não foi publicado, e só no mês passado o Ministério de Minas e Energia (MME) publicou a metodologia que orientará a seleção de áreas para eventuais projetos na costa brasileira, etapa que antecede os leilões (ainda sem data).
No conselho da CEM, a Seatrium quer participar das discussões sobre conteúdo local e digitalização da indústria. "Queremos contribuir com a forma como a indústria precisa se preparar para os projetos de offshore wind. São projetos que geram muitos empregos por meio da engenharia nacional e atraem muita tecnologia. Envolvem barcos, subestações e fundações e demandam fornecedores capacitados", comenta.
O desejo da Seatrium é replicar no Brasil o pioneirismo acumulado em mercados da Europa, Ásia e América do Norte. Entre os marcos recentes estão a construção de duas plataformas de subestações offshore (OSS) para os parques eólicos Empire Wind 1 e 2, em Long Island, em Nova York (EUA). Já no Reino Unido, onde tem envolvimento contínuo em atividades de construção offshore e comissionamento, a empresa adquiriu, em abril, 100% de participação na Wave Hub Limited, focada em infraestrutura de testes e desenvolvimento para energias renováveis marinhas e eólica.
"Levamos para o mercado americano tecnologias consolidadas nos mercados europeu e asiático. É algo que também gostaríamos de trazer para o Brasil", diz Búrigo.
O Brasil representa mais de 60% do faturamento global da companhia, que no primeiro semestre de 2026 registrou receita de S$ 5,6 bilhões (dólares de Singapura), ante S$ 5,4 bilhões um ano antes. No período, o segmento de eólica offshore teve queda de 21% na receita, refletindo a contribuição significativamente menor de projetos legados e a desaceleração da concessão de áreas.
Ainda assim, a empresa mantém uma visão otimista, com expectativa de o mercado global retomar o ritmo de concessões a partir de 2027. A empresa projeta oportunidades em um pipeline superior a S$ 32 bilhões nos próximos 24 meses, diversificado entre petróleo e gás (aproximadamente S$ 21 bilhões), energia eólica offshore (aproximadamente S$ 9 bilhões) e conversões (aproximadamente S$ 2 bilhões).



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