Início Economia Secretários de Fazenda fazem reunião de emergência para avaliar PLP dos combustíveis
Economia

Secretários de Fazenda fazem reunião de emergência para avaliar PLP dos combustíveis

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda dos Estados e do DF (Comsefaz) convocou uma reunião de emergência para 17h desta sexta-feira (11) para analisar os impactos do projeto de lei que altera a forma de cálculo do ICMS do diesel.

De acordo com o presidente do comitê, Décio Padilha, a análise será do ponto de vista jurídico e financeiro.

Eles querem avaliar se há vício de origem no PLP 11, ou seja, verificar se o Congresso Nacional poderia ter a iniciativa em um assunto que mexe com a arrecadação dos estados. Caso haja, a estratégia adotada será acionar a Justiça para derrubar a lei.

Do ponto de vista financeiro, querem mensurar qual será o real impacto da implementação da nova regra. Em um primeiro momento, o que se espera é uma redução de mais de 30% na arrecadação do ICMS do diesel.

Há ainda o propósito de reforçar a comunicação de que a solução adotada pode não resolver o problema. Os estados estão com o imposto congelado há cinco meses e, ainda assim, os preços continuam aumentando. De acordo com Padilha, nesse período, o combustível subiu 33%.

"É um quadro muito delicado. Se tiver ilegalidades vamos adotar medidas legais cabíveis. Se não tiver, vamos buscar as estratégias administrativas", disse,

Pelo texto do PLP 11, os estados deverão regulamentar a criação de uma alíquota única de ICMS sobre os combustíveis no âmbito do Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária). Além disso, o texto prevê a mudança no modelo da alíquota, de um porcentual sobre o valor (ad valorem) para um valor fixo sobre o litro (ad rem).

A alíquota única deverá ser aplicada sobre gasolina, diesel, etanol e gás de cozinha. Inicialmente, também valeria para querosene para aviação, mas os deputados excluíram a possibilidade. Embora unificadas entre os estados, as cobranças poderão ser diferenciadas por tipo de combustível, de acordo com o texto.

Enquanto isso não for implementado pelos governadores, o imposto sobre o diesel e o biodiesel deverá ser cobrado sobre uma base de cálculo definida, obtida pela média móvel dos últimos cinco anos.

Essa média móvel é vista como um dos principais problemas pelos secretários de Fazenda. "Vai considerar um período em que o dólar estava lá embaixo, não tinha pandemia. Era um outro Brasil", diz o Décio Padilha. "Haverá uma queda desproporcional na receita e isso tudo para abaixar centavos nas bombas e destruir os estados, quando a gente sabe que um único aumento da Petrobras, como o de ontem, é bem superior ao ICMS", acrescenta.

O Congresso concluiu na madrugada desta sexta-feira (11) a votação do projeto de lei que altera a cobrança de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre combustíveis e zera as alíquotas de PIS/Cofins sobre diesel e gás até o fim de 2022, ano eleitoral.

A votação ocorreu após a Petrobras anunciar um mega-aumento nos preços de gasolina e diesel. Congressistas criticaram a medida, que ampliou a pressão por ações para conter os efeitos na bomba.

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?