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Selic a 14% e dólar mais barato criam efeito duplo no bolso de quem mora em Manaus

Pesquisa do Banco Central mostra juros ainda nas alturas, enquanto dólar fecha o mês no menor patamar do ano

Selic a 14% e dólar mais barato criam efeito duplo no bolso de quem mora em Manaus
Dólar fechou em queda nesta segunda-feira, refletindo cenário de eleições e mercado internacional

O levantamento semanal do Banco Central com instituições financeiras, divulgado nesta segunda-feira, confirmou a taxa Selic em 14% ao ano, o patamar que segue encarecendo o crédito para quem financia eletrodomésticos, motocicletas ou reforma da casa em Manaus. Os analistas consultados também mantiveram a projeção de inflação em torno de 5% para o fechamento de 2026, sinal de que produtos do dia a dia, da cesta básica aos serviços, ainda devem subir de preço, ainda que em ritmo mais lento do que no início do ano.

Do lado cambial, o dólar fechou a última sessão de agosto cotado a R$ 5,18, com queda no dia e acumulando recuo de mais de 5% desde janeiro, o menor valor do ano para a moeda americana. O movimento foi puxado por pesquisas eleitorais que indicam disputa apertada rumo a 2027 e por um cenário externo mais favorável ao real, o que tende a aliviar o preço de eletrônicos importados, remédios e pacotes de viagem para quem sai do Amazonas rumo ao exterior ou países vizinhos como Peru e Colômbia.

O alívio cambial, porém, esbarra na alta do petróleo, que voltou a superar US$ 90 o barril em meio à tensão entre Irã e Estados Unidos. Como Manaus já convive com um dos preços de combustível mais altos do país por causa da logística de abastecimento, a valorização do barril pode neutralizar parte do ganho trazido pelo dólar mais baixo, mantendo pressão sobre o custo do transporte e, por tabela, sobre o preço de alimentos e produtos que chegam à capital amazonense por via fluvial ou rodoviária.

Para o consumidor de Manaus, o retrato prático é misto: quem pretende comprar um produto importado ou trocar reais por dólar para uma viagem encontra um câmbio mais favorável, mas quem depende de financiamento ou cartão de crédito continua pagando juros elevados, já que a expectativa do mercado é de que a Selic só comece a recuar de forma mais consistente perto do fim do ano. Enquanto isso, o orçamento das famílias segue equilibrando um dólar mais ameno com uma inflação que, mesmo desacelerando, ainda corrói o poder de compra no supermercado.

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