A desvalorização do petróleo e do minério de ferro impede o Ibovespa de acompanhar o avanço dos índices de ações norte-americanos. A valorização externa ecoa otimismo com o setor de tecnologia e expectativa de algum avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã, embora não haja nada de novidades neste sentido. Isso empurra o petróleo para baixo - para cerca de US$ 93 (Brent) e de US$ 89 (WTI).
O mercado doméstico também avalia o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA -15) de maio - acima da mediana -, divulgado nesta manhã pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar da alta maior, os juros futuros cedem, enquanto o dólar avança ante o real.
Ainda, investidores avaliam a Indexa Pesquisas, divulgada hoje, com exclusividade ao Broadcast Político (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), trazendo o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, liderando a pesquisa pelas eleições em 2026 em todos os cenários, de primeiro e segundo turno.
De forma pragmática, Matheus Spiess, estrategista da Empiricus Research, diz que o IPCA-15 não influencia diretamente os ativos na sessão desta quarta-feira, mas chama a atenção. "É um dado ruim. No interior do indicador, houve aceleração em várias linhas delicadas e o índice de difusão ainda veio forte", afirma. "Consequentemente, justificaria uma pausa no ciclo de quedas da Selic, talvez não no Copom de junho", completa Spiess.
No exterior, por enquanto, não há novidades concretas sobre as conversas entre EUA e Irã, mas o fato de não haver novos ataques e de já aparecerem sinais de retomada do fluxo no Estreito de Ormuz ajuda a sustentar algum alívio no exterior. A agenda internacional de indicadores está esvaziada.
"Esse ambiente favorece o desempenho das principais praças internacionais", diz Bruna Sene, analista de renda variável da Rico. Ela destaca, na Ásia, o índice Kospi, da Coreia do Sul, que renovou recorde, impulsionado pelo setor de tecnologia. "Esse é mais um tema que tem se destacado nas última semanas: o movimento de rotação de capital para o setor de tecnologia, e não apenas nos Estados Unidos, mas também para países emergentes que se destacam nessa temática", diz Sene.
Divulgado hoje, o IPCA-15 subiu 0,62% em maio, após ter avançado 0,89% em abril. A taxa acumulada em 12 meses avançou para 4,64%, ante taxa de 4,37% até abril. Os dados superaram as medianas encontradas na pesquisa feita pelo Projeções Broadcast, que eram de 0,56% e 4,59%, respectivamente.
Segundo Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, o IPCA-15 reforça a ideia de que a inflação segue desconfortável para o Banco Central. Em sua visão,a composição do indicador ainda sugere atenção especial aos serviços e aos núcleos, justamente onde o Banco Central enxerga mais persistência. Isso, diz, em nota, "diminui a margem para uma leitura mais relaxada da política monetária nos próximos comunicados."
Na terça, o Ibovespa fechou em baixa de 0,69%, aos 176.589,03 pontos.
Às 11h08 desta quarta, caía 0,17%, aos 176.297,24 pontos, após avançar 0,60%, na máxima em 177.640,02 pontos, vindo de abertura em 176.660,02 pontos (alta de 0,01%). Chegou a cair 0,13%, na mínima aos 176.357,47 pontos.
Entre as ações de primeira linha, as de bancos subiam, enquanto as da Petrobras em torno de 2% e as da Vale, -0,11%, na esteira do recuo de 0,32% do minério de ferro em Dalian, na China.
A elevação é limitada pelo recuo do petróleo, que bate em Petrobras - as ações caem quase 2,20%.




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