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Taxas de juros caem com alívio nas tensões gepolíticas às vésperas do Copom

Estadão

Os juros futuros fecharam a segunda-feira, 15, em baixa, respondendo ao apetite ao risco ao risco no exterior, por sua vez, estimulado pelo acordo entre Estados Unidos e Irã. Ao encaminhar o conflito no Oriente Médio para uma solução, o acerto abriu espaço para o tombo de quase 5% nos preços do petróleo, reduzindo o desconforto com o cenário inflacionário e, com isso, elevando as chances de corte da Selic no Copom da quarta-feira, 17.

No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, que capta as apostas para as reuniões do Copom em 2026, projetava 14,240%, de 14,351% no ajuste de sexta-feira. O DI para janeiro de 2028 tinha taxa de 14,355%, de 14,512% no ajuste anterior, e o DI para janeiro de 2029, taxa de 14,330% (14,449% na sexta-feira). Na ponta longa, a taxa do DI para janeiro de 2031 cedia de 14,329% para 14,240%.

No fechamento de sexta-feira, o mercado já trabalhava com a possibilidade de anúncio do acordo no fim de semana, o que acabou se concretizando. Ainda assim, houve espaço para as taxas continuarem cedendo, com mínimas ainda na primeira parte dos negócios, deixando a piora das medianas de IPCA na pesquisa Focus em segundo plano.

O barril do tipo Brent, referência para a Petrobras, caiu 4,76%, à US$ 83,17, dada a percepção de que o acordo preliminar, que segundo o governo americano, já foi assinando eletronicamente, tende a normalizar, ainda que gradualmente o fluxo no Estreito de Ormuz, por onde trafega cerca de 20% do petróleo negociado no mundo.

A pressão da commodity no preço de combustíveis tem sido o tormento dos cenários prospectivos para a inflação, e nesse sentido, o acordo pode contribuir para mais cortes da Selic e postergar uma alta de juros pelo Federal Reserve.

André Muller, economista-chefe da AZ Quest, afirma que o acordo "sem dúvida" contribui para a redução global dos prêmios de risco, embora o foco do mercado seja o Copom. O economista diz que os preços de mercado seguem apontando chance majoritária de queda de 25 pontos-base para quarta-feira, mas também mantêm indicação de aperto para o segundo semestre, classificada pelo economista "mais como prêmio de risco do que qualquer outra coisa". Segundo Muller, a precificação no meio da tarde era de taxa a 14,54% no fim de 2026.

O economista-chefe da Lev Investimentos, Jason Vieira, disse que o fechamento da curva é realmente um ajuste "aos eventos no Oriente Médio, ainda que parte do mercado esperasse um dólar mais fraco, o que acabou não acontecendo", mas não altera a expectativa para o Copom, que para ele "sempre" foi de corte de 25 pontos na Selic. "Uma vez concretizado, o acordo ajuda os vértices mais longos da curva", afirma.

Em partes, afirma, o acordo deve ajudar o Copom a justificar uma nova redução da Selic em comparação a uma semana atrás. "Era mais complicado justificar o corte", avalia o economista.

Para André Muller, o Copom deve reduzir a Selic para 14,25%, mas sem colocar forward guidance. "Me parece que vão ser conservadores nessa decisão de cortar, e sem dar indicação para o próximo passo. Nesse momento, não temos tanto espaço para redução adicional da Selic", justifica. No Boletim Focus, as medianas de inflação e juros subiram, mas com impacto marginal na curva. "As inflações implícitas já estão precificando isso há algumas semanas", explica.

A inflação suavizada de IPCA nos próximos 12 meses subiu de 4,04% para 4,11%. A de 2026 saltou de 5,11% para 5,30%, e a de 2027, de 4,03% para 4,10%, ambas ainda mais distantes do teto da meta de inflação de 4,5%. A estimativa para Selic no fim de 2026 avançou de 13,50% para 13,75%.

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